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Sassy, a Divina

01/02/2017 - 19:42, + Mercado, Life & Arts

Com um repertório tão vasto e de tanta qualidade, não espanta que Sarah tenha tido um substancial apreço da crítica, pois era uma das vozes mais maravilhosas do século XX.

Por Sérgio Gaspar 

Sarah Louis Vaughan, também conhecida por “Sassy, a Divina” ou “Sailor”, nasceu em 27 de Março de 1924, em Newark, cidade mais populosa do estado de Nova Jérsia, nos Estados Unidos da América. Era filha única de um humilde casal (o pai era carpinteiro de profissão, e a mãe era lavadeira).

No entanto, os pais eram profundamente religiosos, e a família muito activa na Igreja Batista Novo Monte Sião. O seu género e paixão musical foi desde o jazz, bebop, cool jazzaté ao popclássico. A voz de Vaughan caracterizava-se pela sua tonalidade grave e uma enorme versatilidade. A sua paixão e talento pela música começam de tenra idade, sendo que aos 7 anos inicia lições de piano. Era cantora no coro da igreja. Na década de 30, a cidade de Newark tinha um cenário musical muito activo e pujante. Sarah pode frequentemente ver bandas locais ou de tournée. Na sua juventude, Sarah começa a frequentar clubes nocturnos da cidade, actuando como pianista e cantora.

Exemplo é um dos mais conhecidos da noite, o Piccadilly Club. Com apenas 20 anos, em 1944, Sarah gravou o tema famoso de Dizzy Gillespie Night in Tunisia, então intitulado Interlude. Gravou ainda ao lado do pai do bebop, Lover Man. Dá início à carreira numa tournéepelos EUA com a banda de Eearl Hines. Foi igualmente contratada como pianista, mas após alguns entraves de carácter burocrático, com o contrato, o seu trabalho ficou exclusivamente como cantora.
O ano de 1945 marca o início da sua carreira a solo. Começa como freelancerem clubes da Rua 52 de Nova Iorque, tais como Three Deuces, Famous Door, Downbeat e o Onyx. A sua voz começa a ser admirada, e em 11 de Maio de 1945, grava a música Lover Man, que foi um enorme sucesso.SassySas

Começa a tocar igualmente no Café Society, um clube de integração racial no centro de Nova Iorque, onde conhece o trompetista George Treadwell. Com uma relação muito próxima e sólida, casam no dia 16 de Setembro de 1946. Em 1948, assina contrato com uma das maiores produtoras da época, a Columbia, e que coincidiu com um dos seus melhores períodos. Até 1953, dedicou-se quase integralmente, a baladas comerciais, e teve grandes sucessos. Ganhou o prémio Nova Estrela de 1947 da revista Esquire, assim como prémios sucessivos da Down Beat, de 1947 a 1952, e da Metronome, de 1948 a 1953.

Financeiramente, bastante bem, Sarah e George Treadwell compraram, em 1949, uma casa de três andares na Avenida 21 Avon de Newark, no entanto, aos poucos e poucos, a relação entre o casal começa a esfriar, e a nível profissional em 1953 ocorre igualmente a ruptura com a produtora Columbia. A década de 60, logo no início, fica marcada pela entrada de Clyde “C.B.” Atkins na sua vida, tanto sentimental como profissional. Sarah não podia ter filhos, então, em 1961, ela e Clyde Atkins adoptam uma filha, Debra Lois.

A vida sentimental de Sarah Vaughan não foi pacífica, a relação com Clyde “C.B.” Atkins degrada-se, chegando mesmo a atingir contornos de violência. Sarah pede o divórcio em 1963. Em 1989, a saúde de Sarah começa a agravar-se, e em Abril de 1990 morre na Califórnia. Fica, no entanto, um legado carregado de excepcionais performance sem quantidade e qualidade. Uma voz única, singular, ímpar, que encantou, encanta e, por certo, continuará a encantar os nossos corações.

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