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Manter o foco diante da adversidade

13/03/2017 - 08:48, + Mercado

Há momentos na vida em que somos forçados a atravessar o deserto, um local de privações e a oportunidade para um verdadeiro teste de fé, resistência e superação.

Por Carlos Muyenga 

Voo da Fénix é um filme norte-americano lançado em 2004, dirigido por John Moore e tem no elenco estrelas consagradas como Dennis Quaid, Tyrese Gibson, entre outros, que nos faz viajar em 108 minutos de muita turbulência, seguido de um pouso de emergência em Gobi (extenso deserto situado na região norte da República Popular da China e região sul da Mongólia). O filme é na verdade um remakedo original The Flight of the Phoenix (1965), realizado por Robert Aldrich e baseado no romance de Trevor Smith. Só que a versão de 2004 foi para os críticos um daqueles fracassos de bilheteiras que amargam a lista dos piores do ano, afinal terá custado à volta de 45 milhões USD, mas a rentabilização não passou dos 20 milhões USD.

Contudo, o que torna este filme digno de ser visto são, entre outros aspectos, as lições de gestão e as várias ferramentas de administração (gestão de tempo, cronograma do projecto, etc.) que se nos apresentam em todo a trama.

Bem, vamos lá ao enredo. Tudo acontece quando uma plataforma terrestre no deserto de Gobi se torna improdutiva. O capitão Frank Towns (Dennis Quaid) e o co-piloto A. J. (Tyrese Gibson) são enviados para a desligar por meio de um avião C-119. Contudo, na rota para Pequim, uma tempestade de areia obriga-os a realizar uma aterragem forçada num ponto remoto do deserto. Além dos dois, viajavam também no avião a tripulação da plataforma e Elliott (Giovanni Ribisi), um nómada solitário. Como carga, a aeronave levava os pedaços da plataforma. Durante a queda, um dos membros da tripulação, Kyle, cai pela porta de carga danificada, e dois outros, Dr. Gerber (Paul Ditchfielde) e Newman (Martin Hindy), morrem na turbulência e no impacto.

O avião danifica-se de tal maneira, que um conserto se torna impossível para as condições do grupo. A tempestade cessa, e a areia baixa, então eles descobrem que só têm água para um mês. Com o avião avariado e sem chances de conserto, os 11 tripulantes vêem-se presos no deserto, com pouca água e comida. Alguns tentam ir-se embora, mas o capitão pede que fiquem. Um dos sobreviventes, Elliott (Giovanni Ribisi), diz ser um designerde aeronaves. Depois de alguma relutância, atritos, desconfianças e ameaça iminente, o grupo decide reconstruir a aeronave, numa tentativa de sobrevivência, debaixo de tempestades de areia. O futuro avião é denominado Fénix, em referência à ave mitológica que renasce das próprias cinzas. A equipa consegue construir um avião e fazê-lo descolar, a tempo de não serem apanhados por um grande grupo de ladrões.

Podemos ver em algumas cenas essa influência sobre Frank Towns ao fazer uso de palavras que considero chaves para a mudança de opinião. Uma das lições deste filme é quase uma metáfora aos momentos na vida em que somos forçados a atravessar o deserto, um local de privação (por vezes de humilhação para suprimir o ego) e a oportunidade para um verdadeiro teste de fé, resistência e superação. Tal como nos negócios, a liderança de Elliot estava inicialmente a correr bem, até à altura em que ele não soube fazer boa gestão de pessoas, “no calor do dia, qual sol escaldante no deserto, pode-se perder o controlo”.

A equipa volta-se contra ele. Percebe-se, nessa etapa, que a gestão de conflitos deve entrar em prática. Assim, situações desesperadoras revelam líderes improváveis, aqueles que em meio ao tumulto mantêm o foco nos resultados. Tal como no filme, às vezes temos de recomeçar do zero, com os destroços que temos. A proposta pode até ser rechaçada por todos de imediato. O importante é levar o plano adiante.

Vendo bem o contexto do filme, não podemos banalizar as ideias de ninguém por mais banais que pareçam. Uma equipa, quando é bem unida, supera os diferentes problemas.

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