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Marcus Miller, o baixista que respira hibridez

21/02/2017 - 08:50, + Mercado

Pelo poder do hard slapping do seu baixo, o artista conquistou palcos e é o “go to guy” no momento de sessões de gravações.

Por Cláudia Simões

claudia.simoes@mediarumo.co.ao 

Nascido em 14 de Junho de 1959, em Brooklyn, no estado de Nova Iorque, para seus pais, é simplesmente William Henry Marcus Miller Jr., para o mundo, Marcus Miller. Criado no seio familiar de músicos, tem como primeira figura de referência o seu progenitor, William Miller, um tocador de órgão e director de coro na igreja que congregava.

É multi-instrumentista, produtor, compositor, embora seja conhecido mundialmente como baixista. Contudo, o primeiro instrumento que tocou foi de sopro. Miller estudou oficialmente o clarinete, mas a sua versatilidade estende-se no domínio do clarinete, baixo, teclado, saxofone e guitarra.
Foi na década de 70 que o seu talento foi descoberto por Michal Urbaniak, um músico polaco. A partir daí, apresentou-se como músico de sessão. De 1981 a 1982, realizou o sonho de tocar ao lado do seu herói, Miles Davis. Ao ingressar na tourdo mesmo, iria acabar por trabalhar em alguns álbuns do trompetista, incluindo Tutue Music from Siesta.

Foi membro da banda do icónico programa televisivo de comédia Saturday Night Live, entre 1988 e 1989.

Marcus Miller chegou a tocar para grandes nomes da música, tendo emprestado o seu dedilhar no baixo em mais de 500 gravações, incluindo as de Roberta Flack, Carly Simon, McCoy Tyner, Bryan Ferry, Billy Idol, Luther Vandross, Bee Gees.

A par de trabalhos conjuntos, lançou o seu primeiro álbum em 1983, intitulado Suddenly. Entre os anos 80, 90 e 2000, o músico lançou álbuns considerados, por especialistas, híbridos, pela sua incursão em R&B, funk e jazz.

Como compositor, escreveu as canções Chicago Songpara David Sanborn e co-escreveu Til My Baby Comes Home, It’s Over Now, For You to Lovee Power of Lovepara Luther Vandross. No domínio do cinema, criou mais de 30 partituras de filmes, em evidência o cult classic School Daze, de Spike Lee.
O repertório rico e vasto concedeu-lhe reconhecimento, ganhou inúmeros Grammy Awards como produtor de Miles Davis, Luther Vandross, David Sanborn, Bob James, Chaka Khan e Wayne Shorter. Em 2001, venceu na categoria de Melhor Álbum de Jazz Contemporâneo pelo seu sétimo álbum a solo, M². Um dos seus recentes discos, Afrodeezia, recebeu indicação para Melhor Álbum Instrumental Contemporâneo.

Actualmente, Miller tem a sua própria banda. Entre tournéespelo mundo, o baixista fez uma paragem no País, tendo actuado no Cine Atlântico, para o Luanda International Jazz Festival em 2012. Seguindo o apanágio implícito na expressão “save the best for last”, agraciou o palco no último dia da sexta edição da celebração.

No mesmo ano, foi nomeado Artista da UNESCO para a Paz, apoiando e promovendo o UNESCO Slave Route. Um projecto lançado em 1994 para aumentar a conscientização sobre a escravidão e lançar luz sobre as lutas pela dignidade e liberdade dos povos escravizados ao redor do mundo.

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