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Michael Clayton: Por uma questão de consciência

29/11/2016 - 10:11, + Mercado, Life & Arts

A verdade pode ser camuflada, mas, às vezes, um surto de clareza pode resgatá-la.

Por Estêvão Martins

estevao.martins@mediarumo.co.ao

Tony Gilroy, o homem por trás da trilogia de Jason Bourne e outros sucessos, faz em Michael Clayton – Uma Questão de Consciência um bom trabalho, contando com o suporte de um quarteto de peso – George Clooney, Sydney Pollack, Tilda Swinton e Tom Wilkinson.

Michael Clayton (George Clooney) é o zelador da companhia, um advogado a quem todos recorrem num dos maiores escritórios de advogados de Nova Iorque, a Kenner, Bach & Ledeen (KBL).

Sob a alçada do co-fundador da firma, Marty Bach (Sydney Pollack), quando são precisos métodos pouco ortodoxos para tratar de um caso, sem complicações, Clayton faz o trabalho sujo e ajuda a limpar a sujeira dos clientes da firma.

Numa noite, ele é chamado para resolver um caso de atropelamento e fuga protagonizado por um desses clientes, ao sair pára o carro e decide abandoná-lo, naquele instante, como um golpe de sorte ou providência, o carro explode.

Em seguida, a história faz um flashback, voltando quatro dias no tempo, para percebermos o que está a acontecer com Michael Clayton, quando ele tem de lidar com um desenrolar de acontecimentos que envolve a sua companhia, dívida na família e um restaurante falido.

A KBL está a gerir um processo multimilionário de um dos seus maiores clientes, prestes a conseguir um importante acordo num processo milionário contra a U/North, uma empresa importante do ramo de insumos agrícolas que contaminou a água de muitas famílias de uma pequena cidade há alguns anos.

Tudo parece encaminhar-se para um desfecho do qual depende o posto da conselheira Karen Crowder (Tilda Swinton). Entretanto, o advogado de topo da KBL, Arthur Edens (Tom Wilkinson), tem um aparente esgotamento ou, se preferirmos, um surto de consciência que pode colocar em risco esse desfecho, ameaçando divulgar detalhes do processo que podem acabar com a U/North e com a firma de advocacia, depois de rever o processo a favor das vítimas.

Clayton é então enviado para reconduzir Arthur Edens de volta à lucidez, mas quanto mais tenta resolver as coisas, mais complicadas ficam, ao mesmo tempo que tem de encarar os seus próprios problemas. Sem dúvida, uma das figuras primordiais deste filme é Arthur Edens.

Por um tempo somos levados a pensar que o homem está louco. Mas depois, quando observamos o que ele está na verdade a defender, ou seja, a primeira crise de consciência de sua carreira, leva o roteiro para um campo que nos faz entender as reais razões que o motivaram a fazer isso. A trama ganha de facto outros contornos, a partir do momento em que a conselheira Karen Crowder decide tomar as rédeas do assunto, por uma via alternativa extrema.
É aí que ocorrem as escutas, um homicídio e outra tentativa de homicídio contra Clayton. Esta tentativa frustrada rende no final uma troca de diálogos de tirar o chapéu. O que Clayton diz a Crowder sobre a “saída mais simples” para o problema é simplesmente perfeito.

O filme mantém um interessante suspense sobre a máfia existente nos bastidores das grandes companhias e firmas de advocacia conceituadas. Na sua maioria, essas firmas acumulam fortunas, sob a capa do cumprimento da lei, mas, na verdade, de uma maneira ou de outra, tiram proveitos, sobretudo quando se trata de casos de grandes companhias, mas os cidadãos comuns “que se virem como puderem”.

A fita espelha justamente isto, até que extremos uma firma destas pode chegar para defender o interesse de seus clientes, principalmente em casos de contaminação dos recursos vitais ao bem maior, que é a vida.

O filme arrecadou vários prémios e um Óscar para Tilda Swinton, de melhor actriz secundária. A produção custou aproximadamente 25 milhões USD e arrecadou, nas três primeiras semanas em que esteve em cartaz nos EUA, 21,6 milhões USD.

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