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O Advogado do Diabo, uma compreensão a par da religião

28/12/2016 - 09:11, + Mercado, Life & Arts

A carreira é mais importante que a família e a vida social? Vale sacrificar a vida pessoal em razão da profissional?

Por Njoi Fontes 

A sagacidade de um profissional para atingir o seu objectivo pode ser, ou é na maioria dos casos, uma faca de dois gumes, uma bênção e uma maldição. Este filme faz-nos reflectir sobre os sacrifícios que estamos dispostos a fazer em prol da carreira tendo em conta os pilares que realmente importam em nossas vidas como a família, valores morais e vida social.

Fugindo do sentido religioso da expressão “Diabo”, embora o adágio “advogado do Diabo” seja para traduzir a ideia de alguém que faz o papel de crítico quando a maioria das pessoas toma posição favorável face a determinada situação, ou ainda alguém que testa o mérito de outrem ou de algo, ser o advogado do Diabo é encarado como rude e rejeitado pela maioria (embora o sejam).

A questão é até onde estamos dispostos a ir para proteger a nossa reputação e sucesso? Na vida temos sempre alguém ou algo a testar a nossa determinação de vencer. Mas estaríamos dispostos a tudo para vencer seja quais forem as consequências? É disto que trata o filme em questão.

No filme, a personagem principal, Kevin Lomax, interpretada de forma brilhante por Keanu Reeves, é um advogado de uma pequena cidade da Florida que nunca perdeu um caso. Quando este é contratado pelo excêntrico e misterioso John Milton (Al Pacino), dono da maior firma de advocacia de Nova Iorque, vê a sua vida a melhorar significativamente, o que aguça mais e mais a vontade de estabelecer a sua marca invicta nos tribunais.

Apesar do alto salário e de várias mordomias, Kevin depara-se com a desaprovação da pessoa que mais ama e admira, sua mãe, Alice Lomax (interpretada por Judith Ivey), uma fervorosa religiosa que compara Nova Iorque a Babilónia.

Para piorar a contrariedade familiar, face à promissora carreira que desde o início parecia correr bem, Mary Ann (Charlize Theron), a esposa do advogado, sente saudades de sua antiga casa e começa

a testemunhar aparições demoníacas. No entanto, Kevin está empenhado em defender um cliente acusado de triplo assassinato e cada vez dá menos atenção à sua mulher, enquanto o seu misterioso chefe parece sempre saber como contornar cada problema e tudo o que perturba o jovem advogado.
Novamente um adágio vem ao de cima: “não existem almoços grátis”, ou então “tudo tem um preço”, e para o nosso actor o preço foi algo que, se se descrevesse neste artigo, roubaria decerto a vontade ver o filme.

Mas fica a lição extraída deste suspense, dirigido por Taylor Hackford, parar para reflectir sobre quais são realmente as nossas prioridades, não apenas para o futuro próximo, mas para a vida toda.

Porque temos (ou queremos ter) família? Porque trabalhamos e porque escolhemos a nossa profissão? São perguntas simples ao que parece, mas que deveriam estar presentes o tempo todo em nossa mente para mantermos o nosso caminho com foco no que realmente queremos.
Ainda que de forma menos dramática ou pública, todos nós eventualmente encaramos um dilema similar. Para tornar-se um profissional de sucesso (e mesmo para sustentar a família) quase sempre são necessárias horas e mais horas de trabalho duro.

Mas parece que a maioria de nós não considera muito o quanto de esforço, energia e tempo é gasto para investir num determinado cargo; o que consideramos é o balanço entre o sucesso profissional e o pessoal.

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