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O impecável senhor Wilson

11/01/2017 - 10:29, + Mercado, Life & Arts

Virtuoso nas teclas e um estudioso meticuloso do piano, Terry Wilson foi um dos pianistas de técnica mais brilhante da primeira metade do século XX. Tocou com os consagrados e ajudou a criar o jazzmoderno

Por Fernanda Mira

O ponto básico sobre Teddy é que ele é aquele artista raro que é, ao mesmo tempo, executante e criador. Há aqueles que são os virtuosos e colocam a ênfase na forma como tocam, executam de forma magistral o material criado por outros. Às vezes até soam melhor do que os criadores, mas, apesar de poderem acrescentar pequenas voltas, não contribuem para o estilo, são apenas grandes intérpretes.

Esta é a análise de Dick Katz, também influente pianista e um dos discípulos mais entusiastas da arte de Teddy Wilson.

Para além de quem com ele aprendeu a arte das teclas brancas e pretas, os críticos de jazzsão unânimes: é quase impossível encontrar uma gravação de Wilson com pouca qualidade. Seja enquanto membro de uma banda, seja em nome próprio. Durante toda a carreira, nunca deixou de aperfeiçoar a sua invejável técnica instrumental. O seu peculiar e inimitável conceito de orquestração consistia na criação de “discursos melódicos com a mão direita, complementados com os vários sons que conseguia extrair do instrumento com a mão esquerda”, especificava Katz, para explicar a singularidade do pianista nascido na cidade de Austin, Texas, em 1912, e que foi o preferido dos nomes maiores do jazz durante as décadas de 30 e 40 do século passado.

A destreza e a elegância do som produzido por Teddy Wilson cedo conquistaram a cena musical de Chicago, cidade aonde chegou em 1931, após dois anos antes ter decidido ser músico profissional. Decisão tomada no final de ter assistido a um concerto da Orquestra de Fletcher Henderson.

A juventude, escondia-a com profissionalismo e dedicação exclusiva ao estudo do piano. E a recompensa chega quando o seu nome é sugerido para se juntar a Louis Armstrong, uma estrela com estatuto mundial, resultando desta parceria os primeiros sons que Wilson vê impressos em vinil.

Mas haveria de ser breve a sua passagem pela Cidade dos Ventos, após um ano segue viagem para a grande Nova Iorque para integrar a banda do vocalista Willie Bryant, e depois de alguns meses integra os Charioters, um grupo gospel. Benny Goodman, em meados de 1935, contratou-o para tocar com ele e com o baterista Gene Krupa, formando um trio altamente original no ano seguinte, a que se juntou o vibrafonista Lionel Hampton, dando, assim, origem ao famoso Benny Goodman Quartet.

É durante o final da década de 1930 que toca com todos os consagrados: Cab Calloway, Benny Goodman, Duke Ellington ou Count Basie e talvez com a estrela maior de todas: Billie Holiday. E já em meados dos anos 40, quando o jazzinicia a sua grande transformação, Wilson esteve com dois jovens, Dizzy Gillespie e Charlie Parker. Estes músicos procuravam novos sons, e quem melhor que um estudioso e virtuoso? Mas o jazzmoderno haveria de retirar o protagonismo às bandas.

O refúgio foi a Europa, onde diversas digressões lhe renovaram a popularidade. Em 1956 assina um contrato com a editora Verve e grava, em trio, The Impeccable Mr. Wilson, o seu trabalho mais memorável. Querido e admirado por todos com quantos trabalhou, haveria de morrer, em 1986, vítima de um cancro.

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