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‘O Último País’ estreia em Luanda a 10 de Agosto

07/08/2017 - 08:40, + Mercado

É a viagem de regresso da cineasta Gretel Marin, que parte de Angola, passa pelo Brasil e volta a Cuba, o seu país natal. O documentário será exibido no Centro Cultural Brasil-Angola, em Luanda.

Por Nilza Rodrigues | Fotos DR 

Este retorno introspectivo ocorre num momento de mudanças no seu país, e na mesma altura a documentarista debate-se com contradições e questionamentos sobre a sua identidade.

O regresso a Cuba acontece depois de um tempo de ausência, e na mente de Gretel surgem perguntas latentes que a atropelam. “Para onde vai a minha ilha?” – “O que realmente mudou?”

“Onde está a esperança de um país que deixou de ser o que era?” – Ao passar pelas ruas, em cada casa, a cada encontro com os amigos, a cineasta procura um espaço, um lugar a que chame seu, reconhecer-se numa ilha de mudanças imperceptíveis ou que servem de pretexto para aguardar.
“Começo a olhar cada vez mais para mim própria, perguntando-me como cheguei até aqui”, relata Gretel, reconhecendo no entanto que há um momento em que “deixamos de nos questionar”.

Esta paragem, segundo a cineasta, serviu para repescar o patriotismo que lhe foi ensinado ou, pelo menos, o que restou dele e agora foi recuperado através do diálogo geracional que Marin estabelece com os seus avós, os seus pais e pessoas da sua idade.

No final, a documentarista apresenta a reconciliação necessária com a pátria amada que é encontrada além de qualquer território físico ou conjuntura política.

“Viver longe de Cuba não me parecia dramático até começar a entender que o país iria mudar e que não estaria lá para o testemunhar. Sabia que precisávamos de nos abrir ao mundo e de nos renovar, mas temia que com essa renovação também desaparecesse o melhor de um sistema cheio de contradições e utopias”, conta Gretel Marin.

“O Último País” é um filme-catarse que parte da necessidade da cineasta de voltar a conectar–se com a sua ilha num tempo de mudança. “Queria filmar essa mudança, queria encontrar-me com os cubanos, conversar com eles, voltar a pertencer”, explica, reforçando que “de fora as coisas vêem-se de outra maneira, a partir de outros pontos de vista”.

O regresso com foco nas mudanças da ilha provocou alguma estranheza e um distanciamento que Gretel não esperava, já que pretendia restituir o sentimento de pertença nesta viagem que se mostrou dolorosa e só terminou depois de fazer as pazes com a ilha, com as pessoas que lá vivem e ao se reconciliar consigo própria.

“Porque me interessam coisas que não interessam à maioria dos cubanos? Porquê questionar precisamente essa passividade com que aprendemos a esperar que decidam por nós? Porque me sentia cada vez mais ridícula quanto mais preocupada ficava com o futuro do meu próprio país?” Estas questões assombram e procuram respostas nas imagens de “O Último País”, um filme intimista assente na melancolia e que resulta num “canto de amor pela minha terra”, conclui a cineasta.

Gretel Marin licenciou-se em Realização de Cinema pelo Instituto Superior de Arte de Havana e com mestrado em Realização de Documentários da Universidade de Paris VII Diderot. Escolheu Luanda para viver e o documentário como meio de expressão.

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