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Os Kiezo, o nome e ritmo que perdura por gerações

15/09/2015 - 15:18, + Mercado

Tudo começou no Bairro Marçal, município do Rangel, quando Domingos António Miguel da Silva (Kituxi) teve a ideia de juntar quatro jovens entusiastas e com grande talento para a música, e assim formaram a banda. A princípio era apenas uma turma que aquecia as noites no Bairro Marçal, de Luanda, com os seus ritmos quentes, […]

Tudo começou no Bairro Marçal, município do Rangel, quando Domingos António Miguel da Silva (Kituxi) teve a ideia de juntar quatro jovens entusiastas e com grande talento para a música, e assim formaram a banda.

A princípio era apenas uma turma que aquecia as noites no Bairro Marçal, de Luanda, com os seus ritmos quentes, durante a década de 1960. Na época, não se ouviam as vozes, apenas os seus instrumentos artesanais de percussão e outros, que possuíam na altura.

A designação Kiezo, tal como nos conta Kituxi, o fundador deste agrupamento, surge em 1965 num ambiente de festa na B3, que é uma das ruas do Bairro Nelito Soares, para onde os então cinco jovens que formariam Os Kiezo mais tarde não tinham sido convidados, mas animaram a boda.

Neste ambiente, e de forma intrusiva, os jovens tocaram e entusiasmaram de tal forma os presentes, que deixaram no ar uma névoa de poeira no quintal (nesta época, na maior parte dos quintais onde aconteciam as festas, o chão não era pavimentado) como consequência da frenética animação dos dançarinos.

“Situação que levou à necessidade de afastar o pó com a ajuda de uma iezo, palavra na língua nacional kimbundu que, traduzida, é sinónimo de vassoura”, explicou Kituxi. Daí então nasce o nome do grupo – Os Kiezos –, que perdura até aos dias de hoje.

Ao longo do seu percurso nas décadas de 70 e 80, Os Kiezo marcaram a vida dos angolanos com sucessos como Milhoró, Comboio, Princesa Rita, Zá Boba, Monami, Jingololo, Tristezas não Pagam Dívidas. Os Kiezo tiveram o seu primeiro grande espectáculo em 1969, no N’gola Cine, e em 1970 gravaram seu primeiro disco na então Voz de Angola, actual Rádio Nacional de Angola (RNA).

A nova geração dos Kiezo

A actual geração dos Kiezo é formada por 10 integrantes, incluindo admiradores do trabalho dos antigos fundadores da banda. Todos concordaram em manter o nome e fazê-lo perdurar no tempo.

Motivados pelo desejo de dar continuidade ao nome e ao grande amor pela música, formaram a actual geração dos Kiezo. Passados que são 50 anos desde a fundação do grupo pela antiga geração, a homenagem merecida, quais “bodas de ouro”, que aconteceu na última semana, no Show do Mês, reuniu fãs e amantes do grupo, num dos hotéis de Talatona.

O prestigiado da noite, Kituxi, não consegui esconder tamanha alegria e emoção ao ver os grandes sucessos tocados e cantados pela voz e dedos dos mais novos integrantes.  A actual formação integra os instrumentalistas Décimus, Zeca Tirilene, Hildebrando Cunha, Abana Mayor, José Faria, Neto, João, Mister Quim e Manuelito, Horácio Dá Mesquita.

Nesta altura fazem também parte do grupo o percussionista e vocal Juventino Anselmo de Sousa Arcanjo, Vate Costa e Fausto Lemos. Este último notabilizou-se como um dos vocalistas do grupo, pela interpretação e composição da canção Mbaku Kavalé.

Lobito rende-se aos Kiezos 

No âmbito do 50º aniversário da sua fundação, o agrupamento musical foi homenageado em Junho último na cidade do Lobito, província de Benguela, pela Casa Rosa-Promoções.  Na homenagem, o grupo foi agraciado com certificado de mérito, tendo servido de base de acompanhamento instrumental de 12 artistas oriundos de Luanda e tantos outros de Benguela.

Ainda para saudar os 50 anos de existência do conjunto, o agrupamento prepara o lançamento de um single com cinco temas musicais, sendo três inéditas e duas novas roupagens, e um DVD, que vai comportar filmagens de shows ao vivo da banda, e entrevistas desde 1975 até à actualidade.

Por Líria Jerusa| Fotografias Carlos Muyenga

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