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Paula Matoso: “minha maior ambição é a família, quero sempre o melhor para ela”

06/08/2015 - 17:53, + Mercado, Brunch with

A então directora de marketing da Auto Sueco é uma mulher solidária, com muita paixão pela vida, que aceitou voltar à sua terra natal há sete anos. Comanda actualmente a comunicação da Coca-Cola Company.

Por Líria Jerusa |  Fotografia Njoi Fontes

Paula Matoso nasceu em Luanda há 32 anos, no Bairro dos Combatentes, e viveu parte da sua infância na Samba, zona da Camuxiba, ao pé da praia. Casada há cinco anos, mãe de dois filhos, formada em Comunicação Social, filha de cabo-verdianos, é a actual directora de comunicação da Coca-Cola Company.

Conta que foi viver aos quatro anos para Portugal, onde fez todo o seu percurso escolar. De família católica, cresceu num ambiente onde se preserva muito os valores morais e religiosos. Viveu a maior parte da sua infância, adolescência e juventude em Almada (Portugal) e regressou a Angola em 2007, em resposta a uma proposta de trabalho temporário, como directora de marketing da organização do Afrobasket, no qual ficou dois meses. Em 2008, recebeu outra proposta de trabalho para uma empresa de publicidade e resolveu ficar de vez na sua terra natal.

“Desde muito pequena,  não gostava de conflitos. Se tivesse de ceder o meu brinquedo a alguém, fazia-o sem birra alguma”, confidencia. O pai  foi a sua maior influência e fonte de inspiração. “Por ser cabo-verdiano e ter uma cultura muita própria, passou para mim os melhores valores de verdade, humildade, perseverança e amor ao próximo.”

Conta que sempre foi muito dada aos estudos, sempre pensou que, se estudasse, poderia ter as melhores condições de vida e que só assim poderia oferecer o melhor aos seus filhos, e isto sempre foi o seu foco. “Nunca tive cadeiras em atraso, nunca reprovei.”

É bastante ligada às questões sociais e religiosas. Durante a sua infância e adolescência fez campismo, excursões, caminhadas e montanhismo. Há três anos que faz parte da Federação de Desportos Náuticos de Angola e está muito ligada à canoagem e diz que neste momento está muito apaixonada por esse projecto.

Faz dois anos desde aderiu a Associação Kalu- dos Naturais e Amigos de Luanda e possui carácter voluntário e sem fins lucrativos – mas como estava em estado de mãe teve de se afastar por algum tempo. Quando era mais pequena, praticava desportos como futebol e natação. “Sou amiga dos desportos”. É uma mulher que gosta de desafios. É bastante activa em tudo, o seu dia-a-dia é muito corrido e sempre cheio de ocupações, por isso não mede esforços quando se trata de aprender e abraçar novos desafios.

Amante de praia, mar e sol,  conta que fica frustrada quando chegam os dias de cacimbo. Não abre mão da família. O funje, aos sábados, em sua casa, é obrigatório. “A minha família é a minha maior ambição. Tenho ambição pela vida e pelas coisas que fazem bem a mim e aos outros. A nível profissional, quero chegar ao nível de  country manager, mas a minha maior ambição é mesmo a  família, quero sempre o melhor  para eles. Quando se tem filhos, eles tornam-se a nossa maior prioridade, não podemos só pensar em nós.”

Diz que ainda não se considera realizada, que é do tipo de mulher que sempre quer mais, gosta de se envolver em muitas coisas e pensa que ainda há muito para fazer.

Novo começo na terra natal

Ao princípio, quando regressou a Luanda, a adaptação não foi fácil , pois era tudo muito novo, principalmente o facto de num dia ter energia eléctrica e noutro não; num dia ter água e noutro não.

Mas, com o passar do tempo, foi-se habituando. Na altura, o seu único foco era o trabalho, o que a ajudava a distrair-se. O facto de ter cá a família  tornou as coisas um pouco mais fáceis e leves. “Ajudou a readaptar-me a este país tão maravilhoso que é o nosso”, diz.

Por ter uma mistura de culturas, sente-se uma mulher privilegiada, uma mulher de sangue cabo-verdiano, cérebro à portuguesa e coração angolano, e  tenta ser uma mulher melhor a cada dia. Procura tirar o melhor de cada uma dessas culturas tão diferentes e interessantes, quer sempre aplicar o melhor delas seja na convivência entre as pessoas seja no seu dia-a-dia.

A oportunidade de ingressar na Coca-Cola
Paula Matoso trabalhava numa agência de publicidade, a Executive Center, onde era responsável pelos projectos da empresa. Entretanto, ao ser aprovada, em concurso, para a vaga na Coca-Cola Company Angola tornou-se a nova directora de marketing. A nossa convidada de Brunch with… admitiu que também conseguiu aprender muito do que são os procedimentos e regras da marca.

“Na empresa de publicidade consegui estabelecer uma relação própria não só com a Coca-Cola, mas também com os trabalhadores da empresa”. Afirma que a experiência  tem sido fascinante. Tendo em conta que a Coca-Cola é uma marca muito forte e uma das principais do mundo, sente-se privilegiada por fazer parte da empresa.

Aprecia desportos, nomeadamente futebol, basquetebol e natação. Gosta de dançar. Quando era criança, praticava dança,  jazz e hip-hop. Aprecia todo o tipo de música, cinema, mas os seus filmes favoritos são as comédias românticas e as fitas de acção. Não abre mão de uma boa taça de mousse de chocolate.

Considera-se vaidosa mas com medida, acompanha a moda, as tendências, o que está em alta. Mas não segue tudo o que está na moda, procura sempre optar pelo que lhe fica bem. Paula Matoso confessa também que é amiga de bijuterias e amante de perfumes. Está sempre atenta às marcas de malas e relógios.

Apaixonada pela vida, diz que já viveu muitas coisas boas e más, mas soube passar por cada fase de forma pacífica. Tudo o que enfrentamos e passamos, além de nos fortalecer, prepara-nos para algo melhor, e isto ajudou-a a ter uma visão aberta sobre a vida, daí que “vivo a minha vida de forma muito pacífica e activa, sei lidar com cada momento”.

Pretende continuar envolvida nos seus projectos pessoais e, agora, quer dar um passo mais à frente para ajudar a Federação de Desportos Náuticos de Angola, fazendo contactos com alguns países, nomeadamente o Brasil, para apoiar Angola nesta modalidade. Acredita que o nosso País ainda tem muito para dar no que se refere à canoagem.

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