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A Ponte Infinita

13/08/2015 - 15:30, + Mercado, Evasões

A ponte que não leva a lado nenhum… onde damos voltas e mais voltas. Em Aarhus, na Dinamarca.

Fotografia Aarhus Billeder

No reino da Dinamarca, há uma escultura infinita que é também uma ponte – Den Uendelige Bro, do atelier dos arquitectos dinamarqueses Gjøde & Povlsgaard, projectada para Sculpture by the Sea, uma exposição em Aarhus, na costa da Dinamarca, que se realiza anualmente e para a qual são desafiados artistas, designers ou arquitectos para criarem projectos. Neste ano de 2015, um círculo de madeira, com 600 metros de diâmetro, estende-se pelas tranquilas águas azuis do rio Thors Møllebæk. Não é tanto uma ponte. Sendo uma ponte, é também um molhe. Seja o que for, é, como lemos algures, “damn cool”.
Vamos dar como certo que é uma ponte, uma ponte que não leva do ponto A ao ponto B, mas que tem, então, 600 metros de diâmetro e ocupa metade da praia e metade do mar. Construída por 60 elementos de madeira idênticos, colocados em pilares de aço alojados a cerca de dois metros do fundo do mar. O tabuleiro da ponte eleva-se a um ou dois metros da superfície da água, dependendo da maré, está bom de ver. A curvatura da ponte segue os contornos da paisagem que se situa entre a foz de um rio e a floresta que se segue à praia. The Infinite Bridge, ou, se quisermos, A Ponte Infinita, que estabelece a relação entre o presente e a história concreta do lugar, ao mesmo tempo que estabelece uma ligação entre a praia e um ponto esquecido no mar.
A ponte toca num antigo cais de desembarque onde as pessoas deixavam os barcos, passavam a praia e rumavam encosta acima, ao histórico Pavilhão de Varna, um destino popular, com terraços, restaurantes e danceterias. Acaba assim por estabelecer uma outra ligação entre a cidade e a paisagem circundante.
“Criamos uma escultura que torna consciente a relação entre a cidade e a paisagem magnífica da baía. Ao caminhar sobre a ponte, experimenta-se a paisagem como uma composição panorâmica interminável e, ao mesmo tempo, insere-se num espaço de interacção social com outras pessoas que experimentam o mesmo panorama”, diz Johan Gjøde, parceiro e co-fundador da Gjøde & Povlsgaard Arkitekter.
A forma como abordam a arte e a concebem faz a diferença nos projectos destes criadores. “A filosofia por trás da nossa prática de arquitectos é iniciar projectos por conta própria. Em vez de esperar para que um projecto aconteça, nós inventamos o projecto e entramos em contacto com as pessoas tomando as decisões. Neste contexto, Sculpture by the Sea foi uma oportunidade única de trabalhar dentro da zona de protecção costeira da Dinamarca e instalar The Infinite Bridge numa área inacessível”, diz, ainda, Johan Gjøde.
Ao comentar a linha divisória entre a arte e a arquitectura, as ideias para os criadores estão muito claras: “Temos trabalhado bastante na arte e na arquitectura, sendo que na maioria das vezes se trata de dar um passo para trás e permitir que a arte entre. Nessas situações,  criamos um ambiente onde as pessoas podem conhecer e  contemplar as obras de arte individuais sob uma nova luz. Como fizemos com The Infinite Bridge, tentamos  criar um ambiente onde se possa experimentar a paisagem circundante da cidade. Na verdade, a natureza, o horizonte da cidade, do porto e da relação com a água é que  são a verdadeira obra de arte”, diz Johan Gjøde.

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