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“Rei da harmónica” marca época

12/12/2016 - 11:42, + Mercado, Life & Arts

Nasceu em 1922, num bairro popular de Bruxelas, e morreu aos 94 anos. Thielemans teve uma vida intensa, sempre dedicada à música, sempre dedicada ao jazz.

Por Rosimaria de Sousa

Jean Thielemans nasceu em Bruxelas em 1922 e aos 3 anos já tocava acordeão no bar dos seus pais. Cresceu na era do swing, com a presença dos estilos cigano de Django e eléctrico de Christian. Embora não tenha planeado ser músico, tal como sempre referiu, foi durante a Grande Guerra que aprendeu a tocar harmónica, descobriu o jazz, ganhou uma guitarra e aprendeu a tocá-la simplesmente ouvindo Django.

No final dos anos 40, Toots teve um contacto com o bebop, tocou em 1949 com Benny Goodman e dois anos depois estava com Miles e Milt Jackson no Charlie Parkers All Stars. De 1952 a 1959, ele foi um sideman constante no grupo de George Shearing.

Em 1963, compôs a valsa-jazz Bluesette, que se tornou um sucesso, sendo gravada por vários músicos em todo o mundo. Toots tinha uma particularidade: gostava de trabalhar em estúdios e gravar jingles, pelo que, durante alguns anos, o jazz ficou para trás. Mas no final dos anos 60não resistiu aos convites de Quincy Jones para gravar no selo A&M, onde se destaca o disco Smackwater Jack. Participou ainda nas bandas sonoras de filmes como Midnight Cowboy, Sugarland Express e The Getaway.

A partir dos anos setenta, grava com Bill Evans o disco Affinity e outros tantos com Ella Fitzgerald, Paul Simon, Shirley Horn e Pat Metheny. Thielemans também esteve próximo da música brasileira através do seu Brazil Project e da sua co-participação nos discos de Elis Regina e Ivan Lins.
A sua última obra foi com a Windham Hill, Chez Toots, que teve a participação de estrelas como Diana Krall, Dianne Reeves e Shirley Horn.
Em 2012, e apesar de estar num estado delicado de saúde, fez um showno Palácio de Belas Artes de Bruxelas para celebrar os seus 90 anos, antes de iniciar uma tournéeque o levou aos Estados Unidos e ao Japão. “Levou a harmónica ao topo da arte e converteu-se num maestro”, palavras do brasileiro Oscar Castro-Neves, que o acompanhava regularmente.

Em 2014, ao sentir que perdia forças e “para não decepcionar o seu público”, cancelou os seus shows e pôs um ponto final na sua carreira. Em 2009, os EUA concederam-lhe o prémio Jazz Master Award, uma distinção raramente dada a europeus, e a Academia Charles Cros entregou ao belga, em 2012, um prémio em homenagem à sua carreira.

Figura mundial do jazz, tocou junto dos maiores: Ella Fitzgerald, Bill Evans, Frank Sinatra, Ray Charles, Larry Schneider e Oscar Peterson. Também acompanhou artistas como Nick Cave, Paul Simon, Billy Joel e Stevie Wonder.

Thielemans morreu “enquanto dormia” um mês depois de ter sido hospitalizado devido a uma queda.Em Agosto de 2015, aos 94 anos, dexa para trás uma longa carreira internacional durante a qual tocou junto dos maiores. O seu nome fica para sempre na história mundial do jazz.

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