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Skyüber: Aceita uma boleia de avião?

10/09/2015 - 14:53, + Mercado, Negócios do outro mundo

A ideia é simples: aproveitar o desperdício e transformá-lo em ganho. Carlos Oliveira e João Paulo Girbal sempre partilharam o gosto pela tecnologia e pela aviação. A conversa de poderem juntar as duas paixões num negócio comum surgiu muitas vezes, mas foi no final de 2014 que começaram a pensar mais seriamente no assunto.

Por Mariana de Araújo Barbosa | Fotografia DR

No início de julho lançaram a plataforma da Skyüber, uma aplicação portuguesa que tem como objectivo ligar potenciais passageiros a pilotos que tenham lugares vazios nos seus aviões. A ideia é que, em regime de partilha de custos do voo, os pilotos de aviões privados que contem até seis lugares nos seus voos planeados possam oferecer os lugares que tenham vagos a clientes que, com eles, dividirão despesas.
“Quisemos tirar partido de recursos subvalorizados e criar um serviço que, numa lógica de boleias, pudesse diminuir o desperdício”, explica Carlos Oliveira, co-fundador desta startup inovadora.
Criaram uma plataforma que, mediante inscrição gratuita, coloca à disposição voos privados a preços mais baixos. É fácil: um piloto tem um voo planeado e coloca os lugares que tem vagos na plataforma com a informação do custo do voo: sempre que um voo é feito e tem passageiros conseguidos através da plataforma, a Skyüber recebe 20% do valor pré-estabelecido pelo piloto. Por exemplo: no caso de um percurso entre Benavente e Braga, localidades lusitanas, um lugar num ultraleve não ultrapassará os 30 euros para um passageiro.
Obviamente, não se trata de oferecer os lugares vazios em voos comerciais mas em aviões privados ou de pequenas companhias que, caso contrário, voariam sem lotação completa. Dessa maneira, evitar-se-ia o desperdício de combustível e, ao mesmo tempo, os custos seriam repartidos. Os aviões que se inscrevam na Skyüber poderão levar duas a seis pessoas, e os pilotos vão estar inscritos na plataforma, assim como os passageiros que com eles desejem voar (tendo em conta os seus destinos). Com a ideia, o projecto quer transformar-se na empresa com a maior frota sem possuir qualquer avião na sua posse.
Desde que foi lançada, a plataforma recebeu registos de mais de 5000 utilizadores na proporção de um piloto para cinco passageiros (riders).
Além do mercado português – uma espécie de “mercado de teste para testar o negócio”, explica Carlos Oliveira – a startup já começou a mediar voos no Reino Unido e quer, muito em breve, começar a operar também em França.
A Europa surgiu como mercado natural graças à legislação, mas a ideia é que a empresa possa também, com o tempo, entrar no mercado norte-americano – o maior do mundo no negócio dos voos privados – e noutros, de dimensão inferior. “Não existe outra empresa no mundo a fazer isto. Sabemos que, além de ser uma boa ideia, o negócio tem potencial”, esclarece.
Dinheiro Vivo

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