Mercado

Stephan Silva

25/09/2015 - 18:00, + Mercado, Brunch with

O natural de Luanda há 33 anos partilha nestas linhas um pouco da sua vivência em terras lusitanas e como a decisão aparentemente prematura de voltar a Angola mudou a sua vida.

Por Vânia Andrade | Fotografia Njoi Fontes

Stephan Silva O convidado para esta edição do Brunch with, Stephan Silva, é o actual director central de Private Bank do Banco BIC. Com ele tivemos uma agradável conversa, mais uma vez no local de eleição, o restaurante do Hotel Trópico.

Conta que apenas com dois anos saiu da sua terra natal, Angola, e emigrou para Portugal, na companhia dos seus avós maternos. Em terras lusitanas, frequentou, na cidade de Santarém, o infantário e ensino primário, local onde residiu até aos oito anos. Apesar de ter crescido rodeado de crianças de raças e etnias diferentes da sua, por ser africano, passou por momentos constrangedores até aos oito anos.

“A cidade onde vivia era muito pequena, e as pessoas ainda tinham uma mentalidade antiquada. Era chamado de negro pelas outras crianças, e até mesmo pelos professores”, revela com imensa tristeza.Talvez seja por esse tipo de experiências do passado que se considera hoje um homem tímido, reservado e controversamente por vezes autoritário. Depois de uma infância difícil, surge a oportunidade de ir para Lisboa e terminar o primeiro ciclo e o ensino médio aos 17 anos.

“A adaptação a Lisboa foi rápida, o convívio com as pessoas era diferente, porque havia outras crianças negras, e menos preconceituosas.” Entretanto, durante as idas e vindas, para dentro e fora do País, que era comum na época de férias, teve a chance de conhecer os Estados Unidos da América (EUA).“Acabei por ficar a viver por três anos em Washington DC.

Neste período, estudei no Montgomery College e comecei a minha formação superior, mas não concluí por motivos de força maior”, disse. Quando estava nos EUA, fez o General Courses, que o obrigou a estudar um bocado de tudo. Stephan Silva queria ser engenheiro, mas quando o seu tutor olhou para as suas notas disse-lhe: “Tu, para engenheiro? Ainda tens muita corda para dar!” Desmoralizado, regressa a Luanda e decide seguir gestão, porque já tinha desenvolvido inclinação para contas.

O regresso inesperado a Luanda…

Por questões de saúde da mãe, Stephan foi obrigado a voltar para Angola para estar junto dela e acompanhar o seu processo de recuperação. Estando em Luanda, tomou a decisão de começar a fazer alguma coisa e não ficar de braços cruzados.

“Aos 22 anos, comecei a procurar emprego, inscrevi-me na Universidade Lusíada de Angola, no curso de Gestão de Empresas, onde frequento o último ano.” Garante que, desde a época em que esteve a estudar em Portugal, sempre foi um aluno dedicado, com médias acima dos 14 valores. “Tanto em Portugal, Angola quanto nos EUA, tive boas notas, preferindo as disciplinas com números”, refere.

Em 2005 ingressa nos quadros do Banco BIC, quando poderia nessa mesma altura trabalhar também para o BFA. “Fiquei algum tempo à espera e, quando o BIC abre a primeira agência, entro uma semana depois e começo a trabalhar”, disse. A visão, os inputs que adquiriu nos EUA, aliados ao domínio da língua inglesa, serviram de impulso para conquistar a vaga.

O que lhe permitiu encarar as coisas de maneira diferente, com mais empenho, dedicação e disponibilidade. “Quando entrei para o banco, comecei por baixo, a contar dinheiro, ia aos armazéns buscar dinheiro.Era esta a minha função”, revela. Na altura, a ideia de criar o Private Bank já estava na forja, o Banco BIC queria inovar e oferecer serviços novos ao mercado, portanto, o seu perfil provou-se ser adequado para integrar a equipa.

“Éramos apenas três pessoas, um director e dois gestores, foi aí que a evolução começou a dar passos mais largos”, disse. Stephan começou como gestor, e depois passou a gerente, logo a seguir para subdirector, e depois para a actual função, a qual exerce há mais ou menos 5 anos.

“A minha evolução, dentro da instituição, tem sido rápida, sou agora o director central mais novo do Banco BIC.” Embora esteja num processo de evolução, admite que continua a aprender com a experiência de outras pessoas, absorvendo conhecimento, para mais tarde, possivelmente, criar a oportunidade de ter algo próprio e tornar-se profissionalmente independente.

Lado pessoal, curiosidades e lazer

Stephan admite que tem a mania da perfeição e gosta que as coisas sejam feitas sempre à sua maneira. Mas o pai de três meninas considera-se um fiel companheiro dos seus amigos e uma pessoa muito reservada.

Revela ainda que há três coisas que valoriza e que lhe são importantes na vida: a família, a relação que tem com Deus e tudo o que lhe faça bem. Stephan Silva gosta de estar em casa nos seus tempos livres, não dispensa os momentos na companhia de suas filhas e restante família.

Gosta de ler filosofia e está sempre ligado à Internet, a ler coisas que lhe agradam e que estejam relacionadas com o trabalho. E procura manter-se actualizado, lendo jornais e acedendo às redes sociais, a fim de acompanhar o que se passa lá no mundo Quando era mais novo, jogava futebol, mas, anos depois, foi-lhe apresentado o kickboxing, modalidade que pratica há seis anos.

“Tenho sonhos, mas não sou muito ambicioso. Para mim, o que mais importa é que haja saúde”, confessa. Gosta muito de viajar, de estar na parte oeste dos EUA, Califórnia, e Dubai, mas adora a gastronomia portuguesa. “Gosto de cidades que oferecem alguma segurança, daí gostar de estar na parte oeste dos EUA, Califórnia, e do Dubai”, reitera.

Um pé-de-dança de vez em quando faz parte da sua forma de se divertir quando tem tempo de ir a uma discoteca em Luanda. “Dadas as influências do tempo que passei fora do País, gosto de ouvir hip-hop, mas sem descurar um bom semba”, disse. Além do gosto pela música, revela um gosto apurado por vinhos, champanhe bem gelado e uma nova onda de beber gin tó- nico.

A última vez que esteve nos Estados Unidos, teve a oportunidade de fazer um test drive de um Ferrari, o que o tornou no seu carro de sonho. Simpatiza com a cultura Hindu, apreciando a filosofia deles, por ser muita rica.

“Estou no processo para ser uma pessoa melhor, portanto, ainda não me sinto um homem realizado. Sempre que posso, visito outras províncias de Angola, por pouco tempo. Mas para as repetir, tudo fica muito mais complicado”, remata sorridente.

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