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A vida agridoce de Billie Holliday

07/12/2016 - 09:27, + Mercado

A mulher das gardénias brancas do jazz. Com a sua marca registada, as gardénias brancas a adornarem o cabelo, em especial sua voz, Billie Holliday conquistou o jazze um lugar para sempre no panteão das maiores vozes do género musical.

Por Cláudia Simões

claudia.simoes@mediarumo.co.ao 

Nascida Eleanora Fagan em Baltimore a 7 de Abril de 1915, foi abandonada pelo pai logo após o seu nascimento.

A primeira vez que teve contacto com os blues foi ainda pequena, enquanto realizava tarefas domésticas num prostíbulo. Aos 14 anos, a morar com sua mãe em Nova Iorque, caiu na prostituição. A vida de Holliday desde cedo nunca foi pêra doce.

Ameaçada de despejo por falta de pagamento da casa onde vivia, Billie procura por dinheiro, de todas formas possíveis. Tenta ser bailarina, mas falha. Contudo, alguns males vêm por bem. Recebeu uma segunda oportunidade ao ser questionada se saberia cantar.

Sem qualquer experiência profissional, tendo como única referência musical Louis Armstrong e Bessie Smith, Billie soltou a voz e conseguiu emprego como cantora. A sua carreira começou nos anos 30, quando foi descoberta por Phillip Hammond, após cantar três anos em diversas casas de show. Gravou o seu primeiro álbum com a orquestra de Benny Goodman. A partir daí a carreira pegou o rumo ascendente.

Canta com as big bandsde Artie Shaw e Count Basie. Na altura em que trabalhou com Count Basie, as condições de viagem da banda eram pobres. A parceria foi sol de pouca dura, Billie é expulsa da banda, por causa de sua personalidade.

Logo depois, Artie Shaw, o famoso clarinetista, contrata-a. Torna Billie numa das primeiras artistas negras a cantar com uma banda com membros de raça branca, numa época de segregação racial nos Estados Unidos da América.

No fim dos anos 30, arrecada um número de sucessos na rádio com Teddy Wilson, tornando-se uma artista consagrada na indústria fonográfica. What a Little Moonlight Can Do e Easy Living foram canções reproduzidas por cantores em toda a América e estabeleceu o seu repertório como standardsdo jazz.

Entretanto, a sua canção mais famosa seria Strange Fruit, um poema sobre linchamento escrito por Abel Meeropol, um professor. O texto que denuncia o linchamento de afro-americanos e o consequente racismo vivido pela comunidade em si tomou forma na voz de Billie Holliday. Um assunto que inclusive a própria intérprete percebia e tinha vivido pessoalmente.
Na sua autobiografia, descreveu o incidente em que seu pai, Clarence Holliday, viu ser-lhe negado tratamento médico por causa do seu tom de pele. Strange Fruitaumentou a popularidade da artista.

Ao chegar os anos 40, Billie Holliday combatia uma guerra pessoal, vício em drogas. Contudo, nada a parou de trabalhar. Cada vez que avançava na carreira profissional, a sua vida pessoal sofria tribulações. Casou-se três vezes e sofreu abusos de seus companheiros de vida.

Em 1947, é presa e encarcerada sob acusação de droga, fazendo com que mudasse a sua carreira. Rumou para a Europa, onde era mais popular do que nunca. Voltou a ser presa em 1956. Entrou num programa de reabilitação. Billie morreu em 17 de Julho de 1959. Apesar do seu passamento físico, ela permanece uma das maiores vozes da jazz music.

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