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Administração da Sonangol obrigada a decisões de gestão de carácter urgente

02/12/2016 - 08:00, Commodities, Markets

A empresa petrolífera estima para este ano receita bruta de 15.325 milhões USD o que representaria uma quebra de cerca de 2%, comparativamente a 2015 e que se fixou em cerca de 16.212 milhões USD.

A actual situação da Sonangol é bastante mais grave do que o cenário inicialmente delineado” e exige “decisões de gestão com caracter de urgência”, segundo documento da empresa publicado na página da empresa com o título “Ponto de Situação do Programa de Transformação da Sonangol”.

O documento que serviu de base para a conferência de imprensa que a empresa realizou no dia 1 de Dezembro dá ainda conta que a petrolífera estima para este ano receita bruta de 15.325 milhões USD o que representaria uma quebra de cerca de 5%, comparativamente a 2015 e que se fixou em cerca de 16.212 milhões USD.

Sublinhando que “as receitas brutas da Sonangol têm vindo a cair desde 2013”, a petrolífera adianta que os custos operacionais, entretanto, “não diminuíram tanto quanto a quebra de receitas”.

Para este ano a petrolífera estima os custos operacionais em cerca de “11.957 milhões USD, uma redução face aos 14.443 milhões USD em 2015”.

Sequencialmente, os lucros da petrolífera também têm vindo a decrescer desde 2013 e a empresa estima que para o ano em curso “não haverá dividendos para o accionista Estado”. “Em 2013 o lucro foi de 3.089 milhões USD, em 2014 de 1.415 milhões USD e em 2015 foi de 389 milhões USD”.

A administração da empresa que tomou posse no passado mês de Junho dá conta que realizou “avaliação profunda” da situação que encontro para que “as suas decisões fossem tomadas com base na realidade da empresa”. Desta avaliação, acrescenta o documento concluiu-se que a empresa encontra-se numa “situação bastante mais grave do que o cenário inicialmente delineado, obrigando a decisões de gestão com carácter de urgência”.

Incumprimentos financeiros e a acções em curso

A petrolífera adianta algumas acções em curso no sentido de inverter o quadro preocupante da empresa, neste onde se destaca ainda “o incumprimento por parte da Sonangol em 2015 dos convénios financeiros (outras condições contratuais) com os bancos”, resultando “num conjunto de constrangimentos, sobretudo limitando o acesso ao financiamento que estava programado para 2016”. A dívida financeira da empresa para 2016 está estimada em 9.851 milhões USD, segundo o documento.

Entre as acções em curso, a petrolífera garante estar a “trabalhar arduamente para garantir o cumprimento dos compromissos financeiros. Estes determinarão a capacidade da Sonangol de obter novos financiamentos fundamentais para investir em novos projectos de campos petrolíferos, para evitar o declínio dos níveis de produção”.

No sentindo de “manter a liquidez financeira” e a “estabilidade da economia Angolana”, a Sonangol tem trabalhado “com o BNA e com o Executivo para continuar a assegurar o acesso regular a divisas e, assim, o pagamento dos produtos refinados importados”.

Outra acção em curso é a reavaliação de “uma forma criteriosa e ponderada” de “todos os investimentos e projectos”. Neste sentido, acrescenta o documento “os investimentos na Refinaria do Lobito e na estação de armazenamento de combustíveis na Barra do Dande estão suspensos (e não cancelados) para reavaliação da visão estratégica e da viabilidade económica”.

“Finalmente, o novo Conselho de Administração lançou um profundo programa de reestruturação interna, baseado na Transparência, Rigor, Excelência e Rentabilidade, que está confiante que irá libertar todo o potencial do Grupo Sonangol”.

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