Mercado

O maior fundo do mundo perde 8,8 mil milhões USD

03/09/2015 - 16:27, Bolsa Internacional

Nos primeiros 3 meses do ano, o fundo norueguês sofreu a primeira queda em 3 anos. Há culpados, e a crise do petróleo chegou à Noruega.

Por Ana Maria Simões | Fotografia Bloomberg

Os títulos de dívida negociados em euros e as acções das empresas norte-americanas negociadas em dólares são os culpados. E não só. Agora, este não é um fundo qualquer, é maior do mundo e funciona como farol para muitos investidores.
O Government Pension Fund Global (GPFG), o maior fundo soberano do mundo, perdeu 8,8 mil milhões USD no primeiro trimestre deste ano, a primeira desvalorização em 3 anos. O fundo é tutelado pelo Ministério das Finanças norueguês, mas tem a gestão operacional autónoma do Norges Bank.
A aposta em títulos da dívida em euros e no mercado accionista norte-americano está na linha da frente deste declínio. Com os bancos centrais a emitirem títulos de dívida com os juros nos patamares mínimos e com a Reserva Federal norte-americana relutante em aumentar as taxas de juros, este fundo, organizado a partir das receitas do Estado nas actividades petrolíferas, tem os seus investimentos a entrarem numa trajectória descendente só contrariada pelo investimento em imobiliário.
O fundo possui em activos cerca de 870 mil milhões USD, com uma maior exposição na Europa, onde está quase 40% do investimento global, e na América do Norte, com 38,9%, e aí a maior parte concentra-se no mercado bolsista dos Estados Unidos. O fundo investe em países e moedas fora da Noruega. Tem participações em 75 países, em 47 moedas diferentes. Possui 1,3% de participações de todas as empresas cotadas no mundo e 2,4% das empresas europeias. Privilegia investimentos em títulos de dívida quer dos países desenvolvidos, quer das economias emergentes. É um portefólio notável. É uma carteira de investimentos a partir da qual, com alguma criatividade, se pode aferir o estado da economia no mundo.
O fundo de 870 mil milhões USD caiu 0,9%, em resultado de perdas de 2,2% na carteira de dívida e pela queda de 0,2% em acções. Os investimentos imobiliários tiveram um aumento de 2%. Os activos do fundo estão repartidos por: 62,8% investido em acções, 34,5% em dívida, e 2,7% em imobiliário. O maior número de participações em acções concentrava-se na Nestlé SA e na Apple Inc., com a Novartis AG logo a seguir.
Os investimentos em acções nos mercados emergentes deram um retorno de 1,5% no primeiro trimestre e equivaleram a 9,6% do investimento em títulos do fundo. No entanto, o fundo reduziu a exposição ao Brasil, com uma redução na carteira de dívida em 16,7% nos últimos seis meses em termos nominais. Para o Norges Bank, a economia brasileira tem tido um desempenho “particularmente ruim”. A redução da exposição à volatilidade económica (e política) brasileira traduz-se num recuo de activos de 1,42 mil milhões USD.
Ao fenómeno brasileiro não é alheia uma crise mais global que passa pela queda dos preços das commodities, com o petróleo causar o maior rombo.
O país, que inicialmente tinha passado quase incólume à crise do petróleo, quando o barril chegou aos 50 USD, deixou de estar, e a economia mais dinâmica e mais forte da Escandinávia começou a dar sinais preocupantes de alguma fragilidade. Dito de outra forma, a crise global chegou à Noruega. A taxa do desempregou passou para 4,3% em Maio, a mais elevada da última década. E pela primeira vez o Estado ponderou, no presente, recorrer ao fundo pensado para as gerações do futuro.

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