Mercado

Desafio para o desenvolvimento do mercado de futuros no País

12/12/2016 - 10:46, Markets

O mercado angolano não é excepção no que respeita à aplicação do rol de características que o mercado de derivados, no geral, e o mercado de futuros, em particular, devem exibir.

Por André Samuel 

andre.samuel@mediarumo.co.ao 

O mercado de capitais no País tem como dimensão da sua estratégia de actuação a criação de um mercado de futuros que servirá de alavanca do investimento produtivo e dos mercados financeiros.

Este mercado será precedido de quatro mercados, sendo dois destes o mercado de dívida pública ( já em funcionamento) – promotor do investimento público e projector da curva de rendimentos – e o mercado da dívida corporativa, alavanca do investimento privado e da curva de aprendizagem do mercado, como antecâmara do mercado de acções.

Para consolidar estes mercados, será criado o mercado de fundos de investimento, estimulador dos mercados dos títulos de dívida e canal privilegiado de massificação do mercado de valores mobiliários, seguindo-se por fim o mercado de acções, impulsionador do investimento privado gerador da curva de aprendizagem para o mercado de futuros.

Desafio para desenvolver o mercado

A nível dos contratos, os factores potencialmente responsáveis pelo insucesso dos mercados futuros são vários e de diferentes categorias, e podem diferir de acordo com o tipo de activo subjacente.

É possível listar dois factores fundamentais, a saber, a não neutralidade dos termos contratuais, de tal modo que não haja um tratamento homogéneo em relação às partes do contrato. Por fim, os mercados futuros também podem falhar quando não são capazes de atrair especuladores, os quais têm a função primordial de fornecer liquidez e, portanto, diminuem significativamente os custos de transacção.

As bolsas de futuros, aparentemente, têm certa dificuldade em prever o sucesso ou fracasso de um novo contrato.

A nível do mercado, deve-se dosear a intervenção do aparelho público no mercado: uma alta intervenção pode funcionar como um mecanismo de redução de riscos para a cadeia de valor de qualquer produto (activo subjacente), e inibir a participação de agentes no mercado futuro, dado que o Estado garante estabilidade do nível de preços.

O mercado angolano não é excepção no que respeita à aplicação do rol de características que o mercado de derivados, no geral, e o mercado de futuros, em particular, devem exibir.

Assim sendo, o desenvolvimento deste mercado poderá estar atrelado a condições como uma relativa abertura da conta de capitais e maior volatilidade cambial.
Com a abertura da conta de capitais, mesmo que ligeira, os fluxos de capitais de e para Angola serão maiores, impactando sobre a taxa de câmbio. Este aumento de fluxo conduzirá a uma maior volatilidade cambial.

Os movimentos de depreciação e apreciação da moeda tenderão a aumentar, condicionando o comportamento das taxas de juro. Observados estes factores, os investidores irão procurar instrumentos financeiros derivados, em particular, os contratos futuros para cobrir os riscos inerentes aos mesmos.

No médio prazo, os fluxos de saída de capitais serão compensados por fluxos de entrada de capitais de curto prazo. Da qualidade da gestão macroeconómica, da relação rentabilidade-risco do mercado de capitais doméstico e da evolução do ambiente de negócios, dependerá a entrada líquida de capitais, apreciando a moeda doméstica e contribuindo para acumulação de reservas internacionais líquidas.

A abertura da conta de capitais será um desafio para a gestão cambial, mas também uma oportunidade para o desenvolvimento do mercado de futuros, para a consolidação dos fundamentos macroeconómicos e para o financiamento do processo de diversificação da economia.

A incerteza nos mercados abre espaço à oportunidade de surgimento de instrumentos financeiros, mormente derivados, como soluções dos problemas de cobertura de risco que os movimentos nos preços trazem ao nível dos retornos dos investimentos; de outra maneira, os incentivos para o surgimento destas soluções seriam quase que nulos. Um dos factores que se impõem no processo de criação do mercado de futuros é o estabelecimento de uma contraparte central capaz de garantir a eficiência na execução dos contratos futuros.

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