Mercado

Empresas de saúde e indústrias preparam-se para o mercado de acções

24/09/2015 - 15:39, Bodiva, Markets

Depois de os sectores das telecomunicações e dos petróleos participarem em roadshows sobre regras de preparação para a entrada na BODIVA, foi a vez de os sectores da saúde e da indústria passarem pelo mesmo processo.

Por André Samuel | Fotografia Walter Fernandes

A Comissão do Mercado de Capitais (CMC) realizou o terceiro e quarto roadshows na última semana destinados à preparação de empresas dos sectores da saúde e da indústria para o mercado de acções da Bolsa de Dívida e Valores de Angola, através do Plano Operacional de Preparação das Empresas para o Mercado Accionista (POPEMA).
A CMC arrancou com o programa em Julho passado com o primeiro e segundo roadshows dedicados às empresas dos sectores das telecomunicações e dos petróleos, onde 45 das empresas que participaram manifestaram adesão ao POPEMA e de submeter os seus relatórios financeiros para avaliação do regulador do mercado de capitais, com o objectivo de se apurar se estão ou não em conformidade com os padrões de adesão ao mercado bolsista.
No terceiro roadshow, realizado para empresas do ramo da saúde, o administrador executivo da CMC, Patrício Vilar, explicou, segundo uma nota da instituição, que o encontro se destinou a apoiar a preparação das empresas que sejam potenciais intervenientes do mercado accionista em termos de relato financeiro e boas práticas de governação corporativa, principalmente.
Disse que é necessário enquadrar as empresas que manifestam interesse no mercado de acções, para que possam vir a financiar-se através deste mecanismo alternativo, diferente do financiamento bancário, pois o propósito é fazer perceber quais são os domínios organizativos em que as empresas se devem enquadrar para terem aceitação no mercado de acções.
O ministro da Saúde, José Vieira Dias Van-Dúnen, disse no roadshow dedicado ao pelouro que dirige que o evento é uma grande oportunidade para as empresas que exploram os diferentes segmentos do mercado da saúde, com predominância para grande parte das empresas presentes que são do domínio do comércio, mas “precisam de dar um passo em frente”.
“O País vive um momento financeiro menos bom, em que há algumas necessidades por suprir, e, neste momento, com os escassos recursos de que dispomos, somos obrigados a procurar fontes de financiamento mais baratas, mais efectivas e que possam suprir as carências com que nos deparamos”, refere o ministro.
O quarto roadshow serviu para esclarecimento às empresas do ramo industrial, à semelhança do terceiro roadshow, onde o secretário de Estado da Indústria, Kiala Ngone Gabriel, explicou que o evento “contribuirá para oportunos esclarecimentos às empresas industriais sobre as condições e requisitos essenciais que deverão reunir para admissão na bolsa de acções e, assim, financiarem as suas actividades”.
O secretário de Estado manifestou a expectativa de que a realização deste evento fosse ao encontro das necessidades das empresas industriais nacionais que reclamam um maior acesso ao financiamento para a actividade produtiva, neste momento particularmente difícil que a economia angolana enfrenta.
O governante considera que o sector bancário continua a não dar resposta adequada às expectativas do sector empresarial, apesar de registar um crescimento em termos institucionais e associativos.
Para Kiala Gabriel, a banca, no curto ou no médio prazo, dificilmente vai poder dar resposta cabal ao desejo de financiamento do sector empresarial nacional, por isso “consideramos a bolsa uma boa alternativa para o financiamento das empresas”.
Disse também que Angola, apesar dos constrangimentos que enfrenta, está empenhada no processo de industrialização e de diversificação da sua economia, para redução das importações, fomento às exportações e lançamento de bases para um crescimento interno sustentável.
Fonte da CMC assegurou ao Mercado que as empresas dos sectores da energia e águas, construção e comércio poderão vir a ser as próximas a participar de roadshows sobre o mercado de acções.

Bolsa de acções sem deadline
O jornal Mercado publicou na sua edição número 12, de 18 de Agosto último, que o mercado de acções não vai arrancar em 2016 conforme havia sido especulado, justamente por estar em curso, até meados de 2017, a execução do POPEMA.
Na altura, o Mercado apurou que estão criadas condições do ponto de vista de infra-estrutura tecnológica da BODIVA, a plataforma de negociação e pós-negociação, e do quadro regulatório, que é competência da CMC, mas, quanto a regras de corporate governance e relato financeiro, as empresas nacionais com maior pujança financeira, na sua maioria do sector empresarial público, não estão preparadas.
O regulador do mercado de capitais entende que deve existir pelo menos um número significativo de empresas que possa constituir uma posição muito significativa para que haja um nível de capitalização na bolsa nacional que representa a dimensão da economia nacional em África.
Dessa forma, segundo fonte ligada à CMC, é difícil quantificar o potencial de capitalização do mercado de empresas a serem cotadas na bolsa de acções em relação ao produto interno bruto de há um ano, a título de exemplo, os mercados desenvolvidos como França (70%), Reino Unido (115%), China (45%), Japão (61%) e África do Sul (150%).

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1 Comentário

  1. Lyzbeth 25/04/2016 - 16:32

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