Mercado

Mercado de bens de consumo resiste a crescimento mais fraco

07/08/2017 - 12:06, Markets

A desvalorização das moedas africanas encareceu os bens importados, criando oportunidades para os produtores locais.

O crescimento económico de África tem vindo a abrandar, mas a indústria de bens de consumo resiste e continua a evoluir, com as receitas a crescerem nas moedas locais. A conclusão é da Deloitte na sua primeira edição do estudo “African Powers of Consumer Products”, publicado no final de Julho.

De acordo com o estudo, que considera apenas empresas sediadas e cotadas em países africanos, as 50 maiores empresas africanas do sector estão concentradas em 15 países, com África do Sul, Egipto, Nigéria e Marrocos a contar para 64% do total e a valerem 80% das receitas do ranking. Esta concentração reflecte a dimensão das economias destes países, o seu grau de desenvolvimento e diversificação e, simultaneamente, o reduzido nível de desenvolvimento do mercado de capitais nos restantes países africanos. Embora o crescimento africano tenha abrandado nos últimos anos, sobretudo devido à contracção do preço das commodities, as perspectivas de crescimento para as empresas do sector são positivas.

O PIB per capita em paridade de poder de compra na África Subsariana duplicou para 3831 USD, entre 2000 e 2016. Enquanto alguns países produtores de petróleo registam um decréscimo no investimento, as economias da África Oriental, menos expostas ao mercado das commodities, crescem a taxas iguais ou superiores a 6% por ano.

Mais moeda local

As receitas das 50 maiores empresas decaíram, em média, 7,5% em dólares e cresceram 4,7% nas moedas locais, em períodos homólogos. Quando analisada a cinco anos, entre 2011 e 2015, a média da taxa de crescimento anual composta (CAGR) das 50 maiores empresas é de 3,5% em dólares e 12,5% nas moedas locais.
“A acentuada desvalorização das moedas dos países africanos face ao dólar americano tornou os bens importados mais dispendiosos, criando oportunidades para os produtores locais aumentarem a sua capacidade de produção e, em consequência, as respectivas quotas de mercado”, considera Pedro Miguel Silva, associate partner e responsável pela área de Retail & Consumer Products da Deloitte em Angola.
O estudo da Deloitte tem em conta o desempenho das 50 maiores empresas do sector de bens de consumo africano no ano fiscal de 2015 (compreendido entre Junho de 2015 e Maio de 2016), com base nas receitas em dólares. Inclui empresas sediadas em África, cotadas em bolsas de valores africanas, cuja actividade principal é a produção de bens de consumo.

Apesar de as empresas sul-africanas e nigerianas dominarem o top10 em termos de receitas, quando analisadas as margens de lucro, estas empresas deixam de figurar no ranking.

As empresas mais rentáveis (margem de lucro mais elevada) estão localizadas no Norte de África (4), na África Oriental (4) e na África Ocidental (2).
No ano fiscal de 2015, 48 das 50 maiores empresas registaram margens de lucro positivas, 16 delas acima dos 10%. Os países do Norte de África emergem nesta lista, concentrando

algumas das empresas de bens de consumo com o crescimento mais acelerado do continente (5 no Egipto, 1 em Marrocos e 1 na Tunísia). As restantes três ficam na África do Sul.

Alimentação e bebidas

Em termos subsectoriais, o top50 é quase inteiramente feito de empresas de alimentação, bebidas e tabaco, evidenciando a forte ligação ao sector da agricultura. Das 50 empresas de topo, 32 são de alimentação, 14 de bebidas, duas de cuidados pessoais, uma de tabaco e uma de mobiliário e equipamento.
O estudo da Deloitte identifica ainda uma série de tendências que a consultora acredita merecerem maior atenção: o desenvolvimento de manufacturas localizadas, que carecem de investimento quer público quer privado; as oportunidades de negócio para marcas privadas; a mudança na dinâmica da relação entre produtor e consumidor; e a falta de soluções inovadoras para suplantar os muitos desafios logísticos.

“As perspectivas económicas positivas, a urbanização acelerada, a ascensão da classe média e da população jovem africana, acompanhadas pela melhoria das infra-estruturas e pelos avanços tecnológicos, continuam a motivar o investimento em África das principais empresas multinacionais do sector de bens de consumo. Prevemos um aumento dos investimentos nesta área, uma vez que o continente continua a crescer”, afirma António Veríssimo, responsável pela área de Consulting da Deloitte em Angola.

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