Mercado

Preços agravam-se em Janeiro face ao período homólogo de 2016

01/03/2017 - 12:41, Commodities, Markets

O fluxo inflacionário teve maior expressão nas províncias da Lunda Norte, Cuanza Norte, Namibe e Cuanza Sul, enquanto Bié, Moxico, Cunene, Cuando Cubango e Huambo registaram inflação menos expressiva.

Por Pedro Fernandes

pedro.fernandes@mediarumo.co.ao 

Em Janeiro último, o custo de vida agravou-se a 25% quando comparado a Janeiro de 2016, segundo o Instituto Nacional de Estatística, que aponta Julho passado como o período em que os consumidores tiveram de pagar mais caro até ao momento.

As classes que mais contribuíram para o aumento de preços durante o mês de Janeiro foram “Alimentação e Bebidas não Alcoólicas” (0,99%), “Educação” (0,23%), “Bens e Serviços Diversos” (0,22%) e “Vestuário e Calçado” (0,19%).

Já os produtos que mais impacto tiveram para o aumento dos preços foram o pagamento de inscrições no 1.º ciclo (0,23%), pagamento de assinatura do serviço de telefonia fixa (0,11%), coxas de frango (0,10%), açúcar branco (0,05%), óleo de soja (0,05%), carapau fresco ou congelado (0,04%) e arroz-agulha (0,04%).

Tiveram igualmente impacto para a alteração ascendente dos preços em Janeiro o feijão-catarino, o tomate, feijão-amarelo, sapatos para crianças, automóvel, frango congelado, ovos de galinha, leite em pó, cadernos escolares e análises clínicas; todos com 0,3%.

Por outro lado, o fluxo inflacionário teve maior expressão nas províncias da Lunda Norte (3,18%), Cuanza Norte (3,07%), Namibe (2,49%) e Cuanza Sul (2,38%), enquanto Bié (1,93%), Moxico (1,95%), Cunene (1,97%), Cuando Cubango e Huambo (2,00%) tiveram inflação menos expressiva.

Segundo o INE, o nível geral do IPC da cidade de Luanda registou uma variação de 2,29% entre o mês de Dezembro de 2016 e Janeiro de 2017.

A classe “Educação” foi a que registou o maior aumento de preços, com 15,68%. Destacam-se também as classes “Bens e Serviços Diversos” (4,24%), “Vestuário e Calçado” (3,13%) e “Bebidas Alcoólicas e Tabaco” (2,98%).

Inflação mais alta em Julho, mais baixa em Outubro

A variação dos últimos 12 meses do custo de vida na capital angolana atingiu o pico máximo em Julho, situando–se nos 4,04%, contrariamente a Outubro, que, no período em avaliação, representa a época em que o poder de compra em Luanda aumentou, tendo o fluxo inflacionário reduzido para 1,7%.

Naquela altura, as classes de despesas que mais contribuíram para o aumento do nível geral de preços foram “Saúde” e “Alimentação e Bebidas não Alcoólicas”.

Um outro organismo, o Instituto de Preços e Concorrência, atribui a alteração dos preços, naquela altura, à dificuldade de aquisição de divisas, limitando a capacidade de reposição de stock dos comerciantes, o que gerou escassez de produtos no mercado.

Embora a inflação tenha atingido a variação máxima mensal em Julho, com 4, 04%, houve até Outubro uma desaceleração contínua, passando para 3,30% em Agosto, 2,14% em Setembro, e 1,7% em Outubro. O mês de Novembro veio colocar “travão” à redução da inflação, tendo registado neste período uma alteração de 2,13%.

Concorreu para a redução dos preços dos produtos a evolução dos indicadores económicos que têm grande influência no poder de compra. O aumento do preço do Brent e a maior disponibilização de divisas por parte do BNA são também apontados como causa do efeito contraccionista no preço, tanto pelo aumento das importações (oferta) como pelo melhoramento da expectativa cambial. A tendência decrescente da inflação registada nos meses de Agosto, Setembro e Outubro vem em linha com as medidas de política monetária implementadas pelo Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (BNA), no sentido de conter a inflação no mercado. Facto assente é a estabilidade da taxa básica de juros definida em 16% pelo respectivo órgão.

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