Mercado

Produção de milho no País pode alcançar auto-suficiência em 2025

13/08/2015 - 09:18, Commodities, Markets

A média de produção de milho por hectare situa-se nos 800 quilos, quantidade que não cobre as necessidades alimentares familiares.

Por Estêvão Martins | Fotografia Bloomberg

O País poderá alcançar a auto-suficiência na produção de milho em 2025 para satisfazer as necessidades da indústria, no que toca à produção de tintas, farinha e óleo alimentar, entre outros produtos, anunciou recentemente o director do Instituto Nacional de Cereais (INCER).
Benjamim Castelo afirmou que na campanha agrícola 2015-2016, que terá início em Setembro próximo, o País deverá produzir 2 milhões de toneladas de milho, cujas metas foram definidas no Programa Dirigido da Cultura de Milho, pontualizou a fonte.
No programa está igualmente previsto o aumento das áreas de produção por forma a cobrir as necessidades do País. Adiantou também que, nesta altura, a média de produção de milho por hectare, a nível dos camponeses, situa-se à volta de 800 quilos, quantidade que não cobre as necessidades alimentares das famílias.
Entretanto, a produção actual de cereais no País regista um défice de 3milhões de toneladas (cerca de 60% do total das necessidades do País) para o consumo humano e para indústria de rações, estimada em 4,5 milhões de toneladas.
Benjamim Castelo acentuou que toda a iniciativa que vise o aumento da produção de cereais no País, estimada em 1,5 milhões de toneladas métricas/ano, é bem-vinda.
A estratégia do Governo, plasmada no Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), é garantir uma cobertura em termos de cereais para o consumo humano em cerca de 75% até 2017.
Segundo enfatizou, o programa estima o alcance da auto-suficiência, em especial para o consumo humano e para a produção de ração animal apenas em 2020.
As metas acima serão alcançadas, de acordo com Benjamim Castelo, apenas caso sejam cumpridas as estratégias traçadas pelo Governo, que compreende a intervenção em sete eixos fundamentais e o investimento em pólos agro-industriais.
O primeiro, notou, tem que ver com o aumento das áreas de produção, uma vez que há províncias com grandes potencialidades e vastas áreas de terra subaproveitadas, no caso do Cuando Cubango, por exemplo.
Mas, devido à falta de exploração, as zonas de cultivo tornaram-se matas autênticas, e devem ser desmatadas. Ocusto deste processo é elevado, cifrando-se em 150000 Kz por hectare.
Outros eixos passam pelo melhoramento da qualidade de preparação das terras, introdução de sementes melhoradas e o melhoramento da capacidade nutritiva dos solos, com a aplicação de fertilizantes que se adaptem à realidade do País.
O programa prevê igualmente estabelecer o controlo das pragas e doenças que podem afectar as lavouras, a questão das colheitas e, por último, o aspecto industrial, que tem que ver com a transformação da produção.
Lembrou também que a nova estratégia do Governo visa a sua comparticipação na subvenção em matéria de desmatação, preparação de terras, e em matéria de distribuição de fertilizantes aos pequenos produtores.
Ainda em relação aos solos, Benjamim Castelo considerou que a província do Cuanza Sul se debate com a acidez dos solos, fenómeno que tem de ser combatido com recurso ao calcário.
No mercado internacional, de acordo com o director do Instituto Nacional dos Cereais, o seu custo é baixo. Ogrande problema avançou, tem que ver com o elevado custo da sua transportação até ao País.

Fertilizantes
Em relação aos fertilizantes, Benjamim Castelo notou que a sua importação é feita de forma isolada pelos comerciantes, procedimento que acarreta custos elevados.
O responsável é de opinião que a sua importação teria de ser a granel, sendo a sua reformulação feita no País para baixar o seu preço no mercado.
“Ao invés de se importar fertilizante composto, que ficaria mais caro, vale comprar a matéria-prima no exterior e fazer a sua reformulação cá, de acordo com as necessidades do País”, disse, frisando que, com este procedimento, “Angola deixaria de utilizar o mesmo tipo de fertilizante de Cabinda ao Cunene, devido à diferenciação dos solos”, sublinhou.
Para tal, acrescentou, Angola teria de ter um sindicato de importadores de fertilizantes. E disse mais: “Actualmente, utilizamos os fertilizantes típicos, cujo resultado nem sempre é positivo, porque não se faz a devida análise dos solos.” O facto, completou, deve-se à falta de uma rede estruturada de laboratórios para a análise dos solos no País, embora haja instituições que fazem o trabalho.

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