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Roubos informáticos de criptomoedas superam 1,6 mil milhões EUR

05/02/2018 - 16:00, Markets

O roubo informático de moedas virtuais superou os 1,6 mil milhões EUR depois do assalto à japonesa Coincheck.

Por Elisabete Tavares 

O roubo informático de moedas virtuais superou os 1,6 mil milhões EUR depois do assalto à japonesa Coincheck na última sexta-feira, naquele que será o maior golpe de sempre envolvendo criptomoedas, segundo contas da Bloomberg. Alguém entrou na carteira digital da bolsa de moedas digitais e roubou quase 500 milhões USD (622 milhões EUR) em moedas. Os clientes vão ser parcialmente reembolsados.

Os responsáveis pela Coincheck pediram, em conferência de imprensa, para haver mais supervisão, mas os governos continuam a reflectir sobre como lidar com o crescimento do investimento em moedas digitais.

Fontes oficiais do Ministério das Finanças nipónico afirmaram que o Japão vai realizar inspecções a corretoras de moedas digitais e que as criptomoedas serão provavelmente um assunto a discutir na próxima reunião das 20 maiores economias mundiais – G20 –, na Argentina, em Março. A França e a Alemanha vão apresentar propostas conjuntas para regular a bitcoin, considerada o ouro das criptomoedas, na próxima reunião do G20.
Roubos à mão armada

Mas não há só assaltos informáticos. Os criminosos têm ido mais longe, executando assaltos ao vivo e tornando reféns detentores de carteiras virtuais recheadas. Naquele que será o primeiro assalto do género no Reino Unido, quatro assaltantes armados e usando máscaras invadiram uma casa em Moulsford, Oxfordshire, na semana passada, e forçaram Danny Aston e a parceira a transferir a sua fortuna em bitcoins. O par geria uma empresa financeira e de corretagem de acções. As vítimas estão agora escondidas, numa residência secreta. O assalto à Coincheck levou a uma onda de vendas de moedas virtuais na sexta-feira, que entretanto já registaram uma recuperação no mercado que vale 566 mil milhões USD (703 mil milhões EUR).

O roubo informático é o maior risco para quem investe e transaciona moedas virtuais, numa altura em que o mercado atrai cada vez mais investidores devido ao lucro fácil. Há investidores que apenas se interessam na valorização das moedas, enquanto activos, especulando. Mas há quem veja nas moedas virtuais a resposta para criar um novo ecossistema financeiro alternativo ao liderado pelos bancos centrais, governos e grandes grupos financeiros mundiais.

A bitcoin foi criada em 2009 no rescaldo da grande crise financeira, que começou nos EUA na sequência da venda de produtos de alto risco, com a participação de grandes bancos e agências de rating. Nos últimos anos, o mercado de moedas virtuais explodiu, com o aparecimento de mais de mil moedas.

Empresas têm-se financiado com a emissão de novas moedas (oferta inicial de moeda ou ICO, na sigla em inglês). O sector tem também levado ao aparecimento de burlas e fraudes, com esquemas de pirâmide a florescer, como o do Trade Coin Club, cujos termos e condições contêm cláusulas ilegais em muitos países e que podem conduzir a problemas futuros com reguladores, incluindo a norte-americana Securities and Exchange Commission, levando a perdas totais.

* Dinheiro Vivo

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