Mercado

Tensão diplomática com o Catar pode comprometer acordo da OPEP

09/06/2017 - 11:13, Markets

O Catar produz 600 mil barris/dia de petróleo, sendo um dos menores exportadores do cartel do qual Angola é membro desde 2006.

Por Pedro Fernandes

pedro.fernandes@mediarumo.co.ao 

A crise diplomática instalada entre o Catar e outros seis países árabes – a Líbia, o Iémen, o Egipto, a Arábia Saudita, o Bahrein e os Emirados Árabes Unidos – pode incentivar Doha a aumentar a produção de petróleo e, com isso, quebrar o limite de produção imposto pela Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPE).

Na tentativa de abrandar o que considera uma queda alarmante nos preços da matéria-prima, a OPEP decidiu-se, em Maio, a manter o corte de 1,5 milhão de barris por dia.

A ideia, segundo o cartel, é reequilibrar os mercados globais do petróleo que já viram os preços a ‘roçar’ os 20 USD em 2016.
Para contrariar a estratégia, um mês depois, seis países, incentivados pela Arábia Saudita, o maior produtor de petróleo do mundo, anunciaram um corte de relações diplomáticas e comerciais com o Catar, acusando este de incentivar e de dar guarita a grupos terroristas como a Irmandade Muçulmana, o Estado Islâmico e a Al Qaeda.

O Catar negou ter conexões com terroristas, mas admitiu ter pago a um grupo da Al-Qaeda e a outro iraniano o resgate de reféns catarenses aprisionados na Síria e no Iraque. Mediante o posicionamento dos seis países, o Catar, por sua vez, equaciona a possibilidade de aumentar a produção de petróleo e as respectivas vendas para custear um presumível ataque militar.

O ambiente entre estes países afectou os mercados internacionais, mas não levou o preço do petróleo a ‘disparar’. Esta quarta-feira, por exemplo, o crude para a entrega em Julho perdeu 0,55% e encerrou a 47,40 USD, enquanto o Brent cedeu 1% e fechou a sessão, negociando a 49,44 USD.

Nas primeiras horas do dia, o petróleo tinha valorizado, com o receio de que dificuldades no fornecimento poderiam surgir. Mas, o preço da commodity recuou, com a perspectiva de que o acordo ‘costurado’ pela OPEP para reduzir a oferta global de petróleo possa ser ameaçado, aumentando o excesso de oferta que persiste nos últimos três anos.

Gás natural, o ‘trunfo’ do Catar

Observadores internacionais acreditam que o Catar vai evitar entrar em guerra com a Arábia Saudita, em virtude de não ter força militar e capacidade para atravessar o deserto. O Catar é um importante exportador de gás natural liquefeito (GNL). O país conseguiu, por meio de parcerias com empresas como Exxon Mobil, Shell e Total, construir grandes infra-estruturas para a refrigeração do gás natural em forma líquida. E também divide, com o Irão, o maior campo de gás natural do mundo, no Golfo.

Seis embarcações de GNL do Catar estão actualmente ancoradas no local e podem ser deslocadas. Para se ter ideia da dependência em relação ao gás do Catar, os Emirados Árabes Unidos consomem 1,8 mil milhões de pés cúbicos por dia de gás natural, vindo do país vizinho.

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