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Variação homóloga do PIB chega a -4,3%

20/02/2017 - 09:26, Markets

A fraca participação das actividades de peso no PIB (petróleo, construção e comércio) justifica a referida variação.

Por Pedro Fernandes | Fotografia Njoi Fontes

pedro.fernandes@mediarumo.co.ao 

Em volume, a variação do Produto Interno Bruto (PIB) entre o terceiro trimestre de 2016 e o período homólogo de 2015 foi de -4,3%, revelam dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) publicados recentemente.

Em tom de esclarecimento, José Kalenji, o chefe da divisão das Contas Nacionais do INE, disse que a estimativa do PIB trimestral referente ao período de 2010 a 2016 teve como fonte de informação a recolha de dados relativos ao emprego, à balança de pagamentos, à despesa das famílias, ao comércio externo, à produção física e à execução do Orçamento Geral de Estado (OGE).

As informações foram avançadas durante a cerimónia de apresentação das Contas Nacionais Anuais e do Produto Interno Bruto Trimestral, realizada no edifício do Instituto Nacional de Estatística, em Luanda, na qual participaram responsáveis do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.

“O peso das remunerações no PIB não ultrapassou, nesse período, os 30%, o excedente bruto das exportações em relação ao PIB foi maior que 60%, e o peso da poupança bruta aproximou-se dos 40%.” O ano 2012 foi “dourado” para o crescimento do PIB, que, naquela altura, segundo o INE, chegou aos 8,5%, tendo os anos seguintes apresentado números consideravelmente inferiores, tais como 5,0% em 2013, 4,1% em 2014 e 0,9% no decorrer de 2015.

Nos dados apresentados pela instituição, ressalta-se a comparação entre a variação do PIB de 2004 e a de 2005. Nestes dois anos, o Produto Interno Bruto chegou a registar uma variação de 15%. “Entre 2013 e 2015, registou-se um crescimento real do Produto Interno Bruto, com pico em 2015 de 15,0%.
De 2004 a 2008, o crescimento foi de dois dígitos, registando-se uma redução para 0,5% em 2009. Em 2010, notou-se um crescimento para 4,7%, seguido de um decréscimo para 3,5% em 2011”, refere o Instituto Nacional de Estatística.

Segundo o INE, a taxa de autofinanciamento, poupança e formação bruta de capital fixo ficou acima dos 60%, o que traduz a necessidade de financiamentos nos anos que mediaram entre 2009 e 2016.

“O PIB trimestral permite detectar as anomalias desta índole”, declarou José Kalenji, quando apresentava os números.

Em relação à participação das actividades na composição do PIB em 2015, o relatório do INE destaca que os serviços mercantis participaram com 36,3%, seguindo-se a extracção e refinação de petróleo e gás natural, com 22,8%, a construção ,com 13,0%, e os serviços não-mercantis, com 11,3%.

No quadro macroeconómico, o INE concluiu que o peso da Poupança Bruta no PIB teve tendência crescente até 2011, período em que registou a maior percentagem, com 37,9%.

Por outro lado, as contas nacionais apresentadas revelam que o País registou uma capacidade de financiamento com tendência crescente entre 2010 e 2011.
Os dados conformam uma nova série do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais (SCNT) e são apresentados 90 dias após o final de cada trimestre, tendo como referência os preços constantes de 2002.

O Produto Interno Bruto trimestral é elaborado com base no manual de Contas Nacionais Trimestrais (CNT) do Fundo Monetário Internacional (FMI), compatível com o Sistema de Contas Nacionais de 1993 e 2008 recomendado pela Organização das Nações Unidas.

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