Mercado

A arte de liderar pessoas com ideias diferentes

28/11/2016 - 09:11, Opinião

Gerir uma equipa de colaboradores nas empresas traduz-se necessariamente em gerir diversidade de pensamento e até resolver situações de conflito. Tal deve ser encarado como positivo e não negativo.

Por Campos Vieira

Há que fomentar o espírito de participação de todos, dinamizar a discussão e extrair as melhores soluções. Isso pode conduzir à criação de um ambiente em que se respire alguma adrenalina.

Duvide de um ambiente empresarial zen, silencioso, calmo, sereno. Questione o permanente unanimismo sem consenso.

Isso é contranatura num contexto de forte concorrência, pois este implica, da parte da empresa no mercado, uma atitude de disputa, proactividade, competitividade e mesmo agressividade. É como o colesterol bom (HDL) no corpo humano, o qual deve atingir um valor mínimo adequado.

O gestor deve, então, percepcionar permanentemente o estado do HDL da empresa e, no caso de ser baixo, introduzir factores de interacção activa dos colaboradores e gerar um movimento de energia positiva, mediante um diálogo vivo e de confronto de opiniões, visando o aumento da eficiência operacional e das vendas.

Esta é uma vertente fundamental que um líder deve considerar como uma prioridade na gestão dos recursos humanos.

A configuração dos layouts do escritório poderá ajudar nesse sentido, se privilegiarmos os espaços abertos em vez de gabinetes e, neste último caso, se estabelecermos que trabalhem de porta aberta. Ao eliminarmos gabinetes, criando “open space”, não devemos, no entanto, enxameá-lo de biombos e armários, atrás dos quais os colaboradores se escondem e funcionam, na prática, como estivessem em gabinetes a “céu aberto”. A criação de espaços de reuniões de trabalho, facilitadores de partilha de ideias e de articulação no planeamento e acção, vai contribuir significativamente para esse objectivo.
Há mesmo empresas, consideradas “benchmark”, que fomentam a geração de novas ideias, em moldes organizados, mediante a atribuição de um prémio ao trabalhador que tiver a melhor ideia sobre a alteração de processos e procedimentos ou a introdução de um novo produto ou serviço.

Assim, a todos os níveis de uma organização, nomeadamente nos colectivos de Administração e de Direcção, devemos enriquecer o debate de ideias, estimulando a geração de sugestões e propostas, em vez de impormos o silêncio em nome de falsos princípios de eficácia e pragmatismo na acção. Conforme a complexidade das matérias, há sempre um tempo adequado para reflectir, aprofundar e decidir, com a participação activa dos membros a que lhes digam respeito tais matérias e tendo por base diferenças de opinião construtivas segundo um diálogo respeitoso, focado, estruturado e buscando sempre resultados concretos. Mas uma vez o assunto decidido, resta assumir colectivamente a responsabilidade da decisão e implementar as acções necessárias dentro dos prazos planeados.

Exploremos, pois, na gestão das empresas, as diferentes ideias de cada um para potenciar, virtuosamente, o alinhamento no pensamento e acção entre todos e, desse modo, ganhar competitividade no mercado.

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