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A avaliação dos colaboradores numa organização

18/11/2016 - 09:59, Opinião

É comum afirmar-se que a política de recursos humanos de qualquer empresa deve basear-se no princípio da meritocracia, que se pode sintetizar na expressão “ a cada um segundo o seu trabalho realizado”.

Por Campos Vieira

Inquestionavelmente, quando tal princípio faz parte da cultura de uma empresa e de um país, mais produtiva se torna uma unidade empresarial e mais rico um país.

Nesse âmbito, é importante que as empresas façam avaliações regulares, pelo menos anualmente, sobre o mérito de cada colaborador e estabeleçam permanentemente acções de formação específicas que melhorem o desempenho no seu posto de trabalho, desenvolvendo os seus pontos fortes e corrigindo os pontos fracos. Porém, levanta-se a questão principal: como avaliar as pessoas? Tem-se em vista a adopção de critérios justos, mas será que é possível dispor-se de um sistema de avaliação infalível?

Quanto mais sofisticado e completo for esse sistema, maior garantia teremos de ser mais eficaz?

As suas variáveis são inteiramente percebidas pelo colaborador de forma a que ele corresponda à pontuação máxima possível? Quanto tempo demora na empresa o processo de avaliação, afectando o normal funcionamento do serviço? Esse processo deve ser confidencial, ou transparente? Individual, ou colectivo?
Deve conter elementos de apreciação subjectiva do avaliador, ou só objectiva?

Deve realizar-se em momento simultâneo, ou separado de atribuições de gratificações, porquanto, quando associados temporalmente, a avaliação pode ser “perturbada” pelo objectivo imediato financeiro e prejudicar o objectivo de formação subsequente à avaliação?

Naturalmente que a resposta a estas questões depende muito da natureza da função do colaborador e da dimensão da empresa, tornando mais ou menos fácil a introdução de uma métrica de avaliação extensa ou justificando a sua parcial ou inteira aplicação.

Existem tratados sobre esta temática, mas, provavelmente, nenhum tem a fórmula capaz de resolver em absoluto as dificuldades que se colocam na avaliação de pessoas.

Porém, essas dificuldades não podem levar-nos a desistir de implementar um sistema de avaliação de pessoas na empresa: pode começar-se por um modelo simples e ir evoluindo, na densidade de factores de apreciação, ao longo do tempo e crescimento de uma organização.

O sentimento de um colaborador de que está a ser avaliado com justiça faz com que se sinta bem na empresa e esta colha um ambiente interno favorável ao desenvolvimento da sua actividade.

Por isso, um chefe, quando avalia, comporta-se como um juiz que também deve saber como avaliar e formar-se para tal, conduzindo a um desafio que ultrapassa a organização e se projecta na sociedade ao contribuir para o próprio desenvolvimento pessoal do colaborador.

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