Mercado

Banca digital

09/02/2017 - 08:30, Opinião

O sector bancário é dos mais inovadores, no que diz respeito a actualização tecnológica nos seus processos de interacção com todos os agentes económicos.

Por Aylton Melo 

aylton.melo@mediarumo.co.ao 

Afinal é também o sector que mais cresceu nos últimos dez anos. Apesar disso, de acordo com as projecções do Estado, a taxa de bancarização cresceu pouco nos últimos cinco anos. Estima-se que estará um pouco acima de 20% entre 2013 e 2017. Mas pode aplicar nesse aspecto uma dinâmica diferente, nos próximos dez anos, se quiser aumentar os níveis de bancarização, sem aumentar a rede de balcões no País e, mais importante ainda, continuar a liderar em inovação tecnológica por via de ferramentas de pagamentos em canais multiplataformas que elevem a relação com os seus clientes para outra dimensão.

A resposta está na transformação digital. Se pensarmos que o impacto dessa transformação está muito distante da realidade angolana, a verdade é que não está. Hoje, é possível fazer transferências internacionais, a partir de Angola sem recorrer ao banco. Portanto, o impacto tecnológico tem acontecido no País, mas deve haver um aumento da eficiência. Países como o Quénia e Moçambique perceberam há cerca de dez anos o potencial dos smartphones. No Quénia, por exemplo, o sistema de pagamentos móveis M-Pesa (M de móvel, e Pesa é a palavra na língua local para moeda), revolucionou esse país, foi criado em 2007 pela gigante das telecomunicações Vodafone.

De acordo com os dados oficiais da Safaricom (entidade que detém 80% da quota de mercado), por dia são movimentados cerca de 20 milhões USD através deste meio. Tal como defende nesta edição, o PCA da Exictos (empresa ligada à produção de software para 23 bancos em Angola), Daniel Araújo, se Angola estivesse a extrair o potencial dos pagamentos por via dos telemóveis à semelhança do Quénia, estaríamos quase que a duplicar o valor que é possível extrair destes dispositivos.

O estágio em que estamos hoje é uma oportunidade de crescimento em nichos de mercado pouco explorados. Naturalmente, um avanço em termos dos sistemas de pagamentos via telemóveis implicaria outro desafio, relativamente à regulação.

Entretanto, as companhias de telecomunicações e em especial de serviços móveis também deverão conceder tarifas razoáveis para que as pessoas efectuem operações financeiras por smartphones em ter de pagar tanto pelos custos das transacções. Devem considerar que estas ferramentas terão no futuro um enorme impacto social. Como vantagem, permitirá, por via de uma tecnologia à mão, fazer operações bancárias em tempo real e a baixo custo. Portanto, terá de haver parcerias entre as companhias de telecomunicações e os bancos para que possam responder às necessidades e à situação do País.

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