Mercado

Believing or not believing, eis a questão!

04/05/2017 - 09:30, Opinião

“Um jornalismo exigente e de qualidade está na génese do produto que nasce de uma ideia partilhada de revelar o País real nas suas múltiplas vertentes, política, económica e social…”

Por Nilza Rodrigues

Directora Executiva

“Ser ou não ser, eis a questão/Será mais nobre em nosso espírito sofrer pedras e flechas/Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja/Ou insurgir-nos contra um mar de provocações/E em luta pôr-lhes fim? Morrer… dormir: não mais. Dizer que rematamos com um sono a angústia E as mil pelejas naturais-herança do homem.” Cito-o e ajusto-o, humildemente, para falar de momentos inesquecíveis e de palavras sem tradução. Believing, para mim, é uma delas. Sim, OK, o Google traduz para crença, acreditar em, ter fé em… e talvez seja isso tudo, mas, quando olho para trás, para Abril de 2015, penso que só mesmo com aquela dose de ‘believing’ é que hoje temos nas nossas mãos o número 100 de um jornal que já conquistou o seu momento, o seu lugar, o seu espaço.

Criar um título é como ver um filho nascer. Costumo dizer. Primeiro o conceito. A ideia. O que se pretende.

Com que objectivo. Qual a intenção. Depois o concretizar. O sonho que vai ganhando forma e se vai tornando realidade. Mas até lá, até ser realidade de facto, é uma labuta, é um quebrar de fronteiras, é atravessar montanhas, é fazer corta-mato, são dias infundáveis e semanas afins, um tempo que não damos pelo tempo a passar. Uma entrega quase-absoluta. Que no mundo perfeito deveria prolongar-se por nove produtivos meses de gestação. O primeiro para conceptualizar. Idealizar. Brainstorming. O segundo para pôr as ideias no papel. Nada como escrever para sentir a coisa a acontecer (defeito de profissão, confesso). O terceiro mês para um business plan já com números reais. O quarto para definir equipas. O sexto para definir as estruturas físicas. O sétimo para conceber o layout. O oitavo para aprovar tudo. E o nono para o parto propriamente dito. Ou, na nossa gíria, a saída em banca.

Não ouso dizer quanto tempo tivemos para fazer nascer o Mercado. Quisera eu que fossem os tais idílicos nove meses. Não foram. O Mercado nasceu assim. De uma vontade imensa de uma equipa pequena, mas coesa, de trazer algo de novo para a imprensa nacional, no que concerne a economia e finanças. As boas práticas, os exemplos internacionais, a performance nacional, os grandes grupos, os pequenos empresários, a banca, a bolsa, a análise… desde o número um, aliás, desde o número zero, deixámos bem claro o nosso alinhamento, e quando muitos pensavam que já não havia espaço para mais um título de economia em Angola, eis-nos consolidados na nossa posição, sem nunca ter descurado a concorrência saudável dos nossos ilustres colegas. Mas já a fazer escola. Com rubricas ambiciosas, com opiniões marcantes, com parceiros de renome – a Global Media e a Bloomberg – levando Angola para o mundo e um pouco do mundo para dentro das nossas páginas. Do nosso País.

O objectivo? Soltar as amarras e obrigar o leitor a alargar horizontes e a pensar para lá do Kwanza, para lá da Baía, para lá do Cunene.

E, depois do papel, vieram outros desafios. A pressão do digital naturalmente. O site nasce poucos meses depois com algo inédito em Angola: as cotações da bolsa actualizadas ao segundo. O Facebook traz outra dinâmica e proximidade. E as apps deram o salto final.

Conseguimos estar em todo o lado ao alcance de um… telemóvel. Por tudo isso comemoramos o cem com tanto alento. Por isso, fazemos questão de recordar aquela madrugada em que os jornais chegaram todos alinhados, a cheirar a tinta ainda, como um momento de glória para todos. Concedemo-nos a nós próprios uns minutos de júbilo, para logo de seguida virem as críticas, muitas autocríticas, claro, pois ainda havia muito por desbravar. Ao António, à Carina, ao Aylton, ao César e à Guilhermina juntaram-se o Pedro, o Paulo, a Ana, a Fernanda, a Rosália e a Giselle.

E todo um backoffice que fez acontecer o jornal Mercado e que continua a mantê-lo de pé.

Mas o grupo não parou por aqui. Aposta na revista Rumo, que retoma a sua caminhada com foco no business intelligence, trazendo para a ribalta a nova geração de empresários, gestores e economistas, os verdadeiros fazedores de um País em franca reconstrução. Mês a mês, o compliance, a agenda financeira internacional, os negócios mais sexy, as fusões e aquisições, tudo dividido em três grandes áreas de análise da revista: Saber, Viver e Crescer.

Em 2016, a Media Rumo lança também o seu mais novo produto de media de carácter generalista, o jornal Vanguarda, que no seu número zero se revela como um título de grande informação, orientado por critérios de rigor, de criatividade e de pluralismo editorial.

Um jornalismo exigente e de qualidade está na génese do produto que nasce de uma ideia partilhada de revelar o País real nas suas múltiplas vertentes, política, económica e social. Uma Angola diferente, renovada e dinâmica que, sem se afastar dos seus usos e costumes, mostra a sua outra face, a do desenvolvimento, das tecnologias, da arquitectura, do comércio.

“Acreditamos no desafio a que nos propusemos e na inovação que pretendemos proporcionar aos leitores, com um jornalismo que promove re͍flexões com soluções para temas sociais estruturantes, voltados às áreas da família, justiça, emprego, segurança social, educação, saúde. Comprometemo-nos, com os leitores, a actuar dentro dos valores da Media Rumo, que consistem na paixão pela vida, na paixão pelo conhecimento e, acima de tudo, na paixão por Angola.” O sentir de um grupo consagrado numa carta de princípios que nos move, quase instintivamente.

E 2017 já começou a correr. A Media Rumo mantém firme a sua missão de partilhar informação com rigor, ética e determinação. Ser uma fonte de conhecimento relevante na construção do futuro. Consolidar, ainda mais, os nossos três títulos: Rumo, Mercado e Vanguarda. Sermos mais parceiros dos nossos stakeholders. E traçar caminhos. Muitos. Para que os gestores possam abrir horizontes e ter uma visão plural da nossa realidade. Queremos ser fidedignos. Não construir castelos no ar.

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