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Bitcoin – A nova fronteira?

19/01/2018 - 14:27, Opinião

Como terráqueo, é provável que tenhas te deparado, nos últimos dois anos, com um artigo no jornal ou um chat do WhatsApp sobre o Presidente Trump e Bitcoin. Mas não estou aqui para desviar a atenção para falar de política, deixarei isso para os especialistas. Escrevo, entretanto, para abrir uma discussão sobre Bitcoin – sim, a toda-poderosa-famosa e, em muitos casos, infame Bitcoin.

Por Rui Oliveira

Como terráqueo, é provável que tenhas te deparado, nos últimos dois anos, com um artigo no jornal ou um c-at do WhatsApp sobre o Presidente Trump e Bitcoin. Mas não estou aqui para desviar a atenção para falar de política, deixarei isso para os especialistas. Escrevo, entretanto, para abrir uma discussão sobre Bitcoin – sim, a toda-poderosa-famosa e, em muitos casos, infame Bitcoin.

Será apenas hype? Ou estaremos a testemunhar o surgimento de uma nova era? Como aquando do surgimento da primeira moeda criada pelo rei Alyattes na Lydia, agora parte da Turquia, em 600 a.C., que revolucionou o meio de troca de bens da humanidade, que até então incluiu bovinos, ovelhas, bem como vegetais e grãos. Para tentar responder a esta questão, devemos fazer uma retrospecção às origens. – Mas o que é dinheiro exactamente? Será uma montanha de prata, como pensaram os conquistadores espanhóis? Ou simples tabuleiros de argila e papel impresso?

A Ascensão do Dinheiro

Chamemos-lhe o que for: cash, kumbu, l’argent, moolah; Dinheiro por si só não é nada. É convencional argumentar que o dinheiro elimina as ineficiências do escambo por ser uma unidade de conta que facilita a avaliação e o cálculo; e um armazém de valor, que permite que as transações económicas sejam realizadas por longos períodos, bem como distâncias geográficas. Para executar essas funções de forma optimizada, o dinheiro deve estar disponível, ser acessível, durável, fungível, portátil e confiável. Portanto, o valor que as pessoas colocam sobre ele não é um valor físico; o dinheiro pode ser uma concha, uma moeda metálica, um pedaço de papel com uma figura histórica, ou simplesmente números em uma tela de computador ou em um telemóvel. Estudos indicam que o dinheiro pode ser rastreado há quase três mil anos e resultou no sistema original de mercados abertos e livres. A segunda revolução ocorreu durante o Renascimento italiano e, eventualmente, criou o sistema de bancos nacionais e o papel-moeda usado para o comércio diário. Hoje, no século XXI atravessa outra era da história monetária – a do dinheiro electrónico ou virtual.

Por vezes, a ascensão do dinheiro pareceu implacável. O Planeta Finanças parecia girar mais rápido que o Planeta Terra. Em 2006, por exemplo, a produção económica em todo o mundo foi de aproximadamente 48,6 trilhões USD, enquanto a capitalização total de mercado do mundo e o valor de títulos de dívida nacionais e internacionais foi 4% maior (50,6 trilhões USD) e 40% maiores (67 trilhões USD), respectivamente. O mercado cambial registou 3 trilhões USD por dia – o dinheiro nunca dormiu, a cada minuto, a cada hora, alguém, em algum lugar, estava a negociar. Tudo isso, enquanto a nova vida financeira tomava forma. Mas, a crise financeira, no ano seguinte, nos providenciou uma lembrança atemporal de uma das verdades da história financeira. Mais cedo ou mais tarde, toda bolha explode. Os vendedores superam os compradores e a ganância transforma-se em medo.

Para adaptar uma frase do matemático e escritor britânico, Dr. Jacob Bronowski, da série inovadora de televisão da BBC e do livro – “The Ascent of Man”, ‘a ascensão do dinheiro tem sido essencial para a ascensão do homem´. E, apesar dos nossos fortes preconceitos, certamente justificados, contra o “kitadi maligno”, a inovação financeira tem sido um factor indispensável no avanço do Homem para as alturas vertiginosas da prosperidade material que muitos de nós hoje conhece e desfruta.

Surge a Cripto-Economia

A invenção do Blockchain – um livro (de registos) digital descentralizado que mantém um registro de todas as transações que ocorrem em uma rede pessoa-para-pessoa – deu origem a uma nova espécie de moeda, a cripto-moeda. Esta permitiu a chegada de novas características do dinheiro que não fossem possíveis anteriormente: descentralizadas e inteligentes / programáveis. Embora ascripto-moedas existam desde a década de 1980, elas ganharam máxima tração e atenção na última década. Após o lançamento e o sucesso da Bitcoin (BTC) de Satoshi Nakamoto, surgiram outras cripto-moedas. Actualmente, existem mais de 1.100 cripto-moedas comercializadas no mercado financeiro, entre elas Ethereum (ETH), Litecoin (LTC) e Ripple (XRP). De acordo com ocoinmarketcap.com, a capitalização global de mercado de cripto-moedas, a 13 de Janeiro, foi de 746,4 bilhões USD. Até ao momento mais de 3,5 bilhões USD foram angariados através das Ofertas Iniciais de Moedas (ICOs) – um meio não regulamentado pelo qual fundos são arrecadados para um novo empreendimento de cripto-moeda.

A regulamentação em torno de cripto-moedas e ICOs está num estado de fluxo confuso, mas, nomeio da zona cinzenta, podemos detectar alguns fragmentos de consistência, já que a tendência geral parece inclinar-se para o reconhecimento das ICOs no mercado e das ineficiências dos actuais quadros legais.Um índice do analista de cripto-moedas Alex de Vries, também conhecido como Digiconomist, estima que, com os preços actuais, os mineiros de Bitcoin utilizam mais de 24 terawatts-hora (215KWh) de electricidade anualmente enquanto competem para resolver enigmas criptográficos. Isso é tanto quanto a Nigéria, um país de 186 milhões de pessoas, utiliza em um ano. Vale a pena fazermos perguntas difíceis sobre a “pegada” ambiental de Bitcoin.

Entretanto, fazendo uma análise do risco / recompensa de um ponto de vista puramente técnico de trading dos ciclos de alta / bolha das top cripto-moedas hoje, LTC, BTC, XRP e ETH, no período de 2012 a 2018, não parece sábio ‘entrar’ no mercado agora, mesmo que a capitalização do mercado continue a crescer 2x ou 3x para atingir 2 Trilhões USD. Para o BTC, a fase actual em que se encontra é chamada de clímax de venda, onde o preço é pressionado por forte pressão de baixa. Mas, após um forte “mergulho” aos 10.000, existem algumas evidências importantes de recuperação lenta: pressão de alta; candelabros apresentam mechas longas (sombras); padrão de castiçal de inversão de alta, acompanhado de um forte aumento de volume na vela mais baixa. Neste momento o preço paira acima da zona forte de suporte, que é formada por 0,382 níveis de fibonacci, nível inferior do canal descendente e nível de suporte de 10,700.

Então, o que significa tudo isso para nós? Apesar da exuberância irracional em torno do preço das cripto-moedas, o hype é real e, em 2017, as partes interessadas do mercado reconheceram claramente essa tendência. Em Dezembro de 2017, o Cboe Global Markets Inc e o CME Group Inc (duas das maiores bolsas do mundo) lançaram contractos de futuros Bitcoin; A Bloomberg, acrescentou cripto-moedas ao Bloomberg Terminal – o provedor de dados mais amplamente utilizado, que fornece notícias, pesquisas e análises. São apenas alguns exemplos desse reconhecimento.

Se a Bitcoin resistirá à prova do tempo da nossa vida e das gerações vindouras, ainda está para ser visto, mas, é certo que assim como o mundo evoluiu de um mundo como o esquecido dos NukakMakú da Amazônia, para um sistema sofisticado de escambo, para as moedas ovulares da Lydia, evoluindo para notas de banco, para o cartão de crédito, e para o dinheiro móvel; A moeda virtual representa um passo real e incontornável na evolução permanente do ecossistema financeiro e, portanto, da interconectividade e subsistência da humanidade.

 

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