Mercado

Cooperação ao Sul

04/11/2016 - 11:01, Opinião

A África do Sul é o único dos países africanos abaixo do Sara que detém a Equivalência Paritária de Supervisão, equiparável ao Banco Central Europeu (BCE).

Por Aylton Melo 

Angola conta com o apoio da maior economia do continente para o reforço do sistema financeiro nacional no quadro do Projecto de Adequação do Sistema Financeiro Angolano às Normas Prudenciais e às Boas Práticas Internacionais levada a cabo pelo Banco Nacional de Angola

Quando o governador do banco central, Valter Filipe da Silva, efectuou um périplo internacional, em Setembro passado, começando por Pretória, foi confirmado que o Reserve Bank da África do Sul vai cooperar com o BNA no domínio da formação do capital humano, supervisão, controlo cambial, tecnologias, etc. Este passo, já em curso, vai com certeza catapultar o sistema bancário angolano.

O assunto é para aqui chamado face às valências da África do Sul no mercado de capitais, uma vez que o nosso congénere pode também ganhar mais fôlego, relançando forte cooperação com aquele país. A capitalização de mercado de empresas cotadas em bolsa em relação ao PIB é um caminho que a Comissão do Mercado de Capitais terá de consolidar nos próximos anos, a começar com a abertura em Novembro corrente do Mercado de Bolsa de Títulos de Tesouro – onde as empresas poderão negociar de forma directa os preços e as quantidades dos títulos – para depois dar lugar ao Mercado de Dívida Corporativa; aos Fundos de Investimentos até à criação e consolidação do Mercado de Acções.

Há muito trabalho pela frente, mas também ganhos, pois, na prática, a capitalização de mercado, também conhecido como valor de mercado, pode ter um impacto positivo sobre o PIB. Na África do Sul, por exemplo, a capitalização de mercado de empresas cotadas em bolsa representou cerca de 235% do PIB em 2015.

Em Angola, a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) prevê neste teor 10% do PIB, nos próximos sete anos.

Outrossim, as acções negociadas, um indicador que complementa o rácio de capitalização de mercado, acompanhada pelo volume de transacções, foi de 74,8% do PIB sul-africano no ano passado.

Angola caminha para este estágio, mas é um caminho longo e árduo para ser percorrido. E, à semelhança do governador do BNA que relançou a cooperação com o Reserve Bank da África do Sul em vários domínios, seria juntar o útil ao agradável, caso a Comissão do Mercado de Capitais (CMC), no quadro do seu Programa de Cooperação e Dinamização Internacional, reforce a cooperação. Aliás, o referido programa estabelece assistência técnica em matéria de supervisão com a congénere da África do Sul, a Financial Services Board (FSB), quanto a solicitação dos procedimentos em uso na FSB sobre as diversas taxas (multas) aplicadas na sua jurisdição. O reforço da cooperação ajuda, com certeza, a alavancar mais ainda a consolidação do mercado de capitais angolano.

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