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A corrupção, cinco interrogações e cinco certezas

03/03/2017 - 09:37, Opinião

O nosso País continua o enorme desafio de combate à corrupção, sendo de enfrentá-lo sem tréguas ou tibiezas, num contexto de que destacamos cinco interrogações e igual número de certezas, tidas quaisquer delas como decisivas para o nosso futuro:

Por Campos Vieira

1ª certeza :nenhum País pode afirmar que o seu nível de corrupção é zero, pelo que o que deve ser considerado é a extensão que esta chaga económica e social poderá atingir numa determinada escala, por hipótese de 1 a 100, e percepcionar em que ponto nos situamos, se mais próximos de 1 ou 100.
E aqui temos de nos rever, como angolanos, como somos e para onde queremos ir. Ao deslocarmo-nos ao estrangeiro e ao identificarmo-nos como angolanos, damos relevância se nos associam a outras nacionalidades tidas como corruptas?

Quando se promovem os investimentos e financiamentos externos à nossa economia, atribuímos importância às operações que ficam pelo caminho devido às dúvidas que são lançadas sobre a transparência do nosso sistema económico e financeiro?

Tudo isso afecta o nosso patriotismo de verdadeiros angolanos, põe em causa o nosso nacionalismo ou reduz a nossa auto-estima enquanto cidadãos do mundo?
Se sim, acreditamos que é possível mudar? Se acreditamos, quanto tempo levará a mudarmos?

2ª certeza: temos de mudar, sob pena de não conseguirmos atingir os objectivos que ambicionamos de transformação económica do nosso País, agora mais do que nunca, pelo que devemos aproveitar esta oportunidade de diversificação económica para também diversificar-mos os nossos comportamentos e as nossas atitudes.
3ª certeza:é muito difícil mudar comportamentos e atitudes de corrupção, pelo que o combate tem de ser sistemática e feroz, a todos os níveis, para que seja uma aposta a vencer.

4ª certeza: muito tem sido feito na reforma da justiça e do direito, sendo de destacar o estudo e diagnóstico profundo efectuado para harmonizar a legislação angolana aos princípios da Convenção da Nações Unidas contra a corrupção.

O Ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Rui Mangueira, por ocasião da sexta conferência dos Estados Partes da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, realizada na semana passada, garantiu que Angola tem tomado uma série de medidas eficazes, para uma maior transparência pública e outras soluções contra a lavagem de dinheiro e males que debilitam a democracia.

Estamos no caminho certo. Devemo-nos aproximar cada vez mais das melhores práticas internacionais nesse domínio. Isso honrar-nos-á e levar-nos-á a não aceitar quaisquer lições de moral dos que nos atacam sistematicamente nesse ponto.

5ª certeza:há muito ainda a fazer na prática ao combate à corrupção, não chegando as leis, as instituições e os processos criados para o efeito. Deve ser feita uma avaliação dos resultados da execução das leis em termos, nomeadamente, do grau e da extensão das acções punitivas e dos seus infractores. Partindo de uma forte vontade política para esse combate, há que dar uma resposta global e mobilizadora envolvendo a administração pública, os vários sectores da economia e a sociedade em geral.

Assim venceremos este combate, como vencemos tantos outros combates no passado da História de Angola e do Povo Angolano!

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