Mercado

Crescer com os pés assentes na terra

17/11/2017 - 16:27, Opinião

Chefe da missão do FMI elogiou intenção do Governo em continuar processo de consolidação fiscal

Por Aylton Melo

O actual contexto (macroeconómico e cambial) revelou à gestão governativa a importância da substituição do petróleo como principal fonte de receitas, e a redução das importações, no sentido de aumentar a produção interna.

Uma nova liderança governativa não cunha necessariamente a entrada para uma nova era, mas pode ser consequência do ciclo natural da vida dos homens e instituições. Assim, esta nova era é a chance de o País encontrar novas abordagens para os problemas que se arrastam há décadas e conceber um novo paradigma de desenvolvimento.

A aposta no agro-negócio é a ‘janela’ que se abriu e a grande oportunidade que empresas, bancos e outros agentes têm para se reinventarem e investirem mais na agro-pecuária, pescas e indústria, enquanto indutores de crescimento económico sustentável.

O Ministério da Agricultura terá de desempenhar um papel nunca antes visto, associando a este processo uma plêiade de investidores, fundos de investimentos e banca. Todos a actuarem sobre um novo modelo de desenvolvimento económico consistente, que apresente garantias de geração de receitas e acumulação de capital.

A união entre os entes da cadeia deverá ser norteada pelo modelo científico, económico e político, que definirá, por exemplo, que culturas serão desenvolvidas, em função da importância económica e da sustentabilidade atrelada à segurança alimentar, quer no quotidiano rural, quer urbano.

Há, infelizmente, um conjunto de condicionalismos na cadeia de valor que encarecem, inviabilizam a produção nacional, e que devem ser debelados: a falta de incentivos fiscais, escassez de insumos, pouco investimento em infra-estruturas de apoio às zonas produtivas,
ineficiências na produção.

O facto de, hoje, é que todo e qualquer novo projecto teM de recorrer à componente cambial, sendo que os insumos e a maquinaria têm de ser importados. Há, igualmente, uma carga excessiva de riscos inerentes ao agro-negócio, e por força disto é urgente que o sector dos seguros se desenvolva e ampare este sector. A banca pode criar soluções paliativas, mas acaba por não cobrir na globalidade a questão dos riscos associados. O Estado até pode criar certos incentivos e benefícios fiscais, mas sem conhecimento científico não se faz o trajecto.

Para se implementar adequadamente um novo modelo de desenvolvimento que suporte o crescimento económico será essencial que se conjuguem forças; que haja massificação do know-howe trabalho. Assim, haverá geração de riqueza, com benefícios para o bem publico.

 

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