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E se… as viagens internacionais não necessitassem de visto?

06/07/2017 - 11:40, Opinião

Como se não bastassem os atrasos nas viagens, a falta de qualidade do serviço e o extravio de bagagens, ainda temos de tratar de vistos para viagens internacionais! E se o ‘nirvana’ de qualquer viajante – viagens sem visto – se tornasse realidade?

Por Sanjay Bhasin,

Presidente da Comissão Executiva do Banco Económico

 Como se não bastassem os atrasos nas viagens, a falta de qualidade do serviço e o extravio de bagagens, ainda temos de tratar de vistos para viagens internacionais! E se o ‘nirvana’ de qualquer viajante – viagens sem visto – se tornasse realidade?

Viajar sem visto acabaria com a necessidade de planear, com semanas de antecedência, para onde ir, que vistos solicitar, que documentos preparar e quanto tempo deixar para a emissão de vistos.

Um plano de viagem e um bilhete na mão bastariam para se poder iniciar a viagem!

Poderíamos também decidir, em cima da hora, quando visitar amigos noutro país ou assistir a um evento internacional.

Até trabalhar noutro país poderia tornar-se tão casual como trabalhar na sua própria cidade.

Angola veria, certamente, chegar um fluxo de turistas desejosos de explorar o interior, ainda tão pouco conhecido.

Estes turistas trariam divisas, que tanto escasseiam neste momento, impulsionando o negócio de compra de moeda, ao mesmo tempo que estimulariam o desenvolvimento de infra-estruturas e instalações.

O lado perverso desta equação passaria pelo acesso ilimitado por parte de trabalhadores estrangeiros, que poderiam ocupar empregos que deveriam ser ocupados por habitantes locais.

As viagens sem visto poderiam, também, causar indesejáveis migrações em massa, permitindo que as pessoas saíssem, livremente, de países menos saudáveis, em termos económicos, educacionais, ambientais, climáticos ou mesmo políticos.
No longo prazo, este factor poderia contribuir para a diminuição da desigualdade dos padrões de vida que existem, actualmente, entre países.
Poderia, também, estimular tremendamente o comércio, dado que os bens circulariam mais livremente entre fronteiras, nivelando a escassez e os excedentes entre países vizinhos.

Seria particularmente benéfico para as economias regionais das zonas fronteiriças, que, normalmente, tendem a ser menos desenvolvidas.
Também seria possível que os balcões dos bancos nessas regiões vissem o seu negócio aumentar, tendo ainda um potencial efeito positivo no aumento da bancarização de regiões e pessoas.

Um artigo recente na revista The Economist mencionava que o Gana anunciou a atribuição de vistos à chegada a qualquer cidadão da União Africana e viagens sem necessidade de visto para cidadãos de 17 países africanos.

A maioria dos países apresenta algumas formas de restrição a vistos.

No outro extremo, existem Estados liberais que permitem a entrada a cidadãos de diversos países, através da emissão de vistos de curta duração à chegada ao aeroporto.

Claro que neste grupo se incluem, normalmente, países economicamente mais desenvolvidos, cujos cidadãos apresentam menor tendência para emigrar e causar algum tipo de incómodo ao país anfitrião.

Nesta lista, estariam também incluídos os países que têm acordos bilaterais.
Um regime liberal de vistos implicaria, igualmente, a criação de soluções onlinepara pedidos e gestão de processos de vistos.
No outro extremo, ficam os países que são bastante restritivos, que não possuem sistema de atribuição de vistos à chegada e cujos procedimentos de emissão de visto são bastante complexos e demorados.

Poderiam enumerar-se diversas razões para estas restrições, nomeadamente, proteccionismo económico, preservação do emprego e prevenção da sobre-exploração de recursos.

O crescente desenvolvimento económico, bem como a homogeneidade de desenvolvimento em países contíguos, normalmente, promove fronteiras internacionais mais pacíficas. Contudo, é raro que um país permita o emprego a estrangeiros, sem visto de trabalho.

Este é um ‘E se…’ pouco provável num futuro próximo.

Os países podem e devem continuar a decidir quem os pode visitar e com que objectivo. Dito isto, o turismo e as estadas de curto prazo geram uma vantagem significativa na entrada de divisas, na melhoria das estruturas locais, na exposição a um maior universo de cidadãos globais e na criação de postos de trabalho.

Por outro lado, o influxo de trabalhadores para emprego de longo prazo deverá ser sempre cuidadosamente monitorizado, para que apenas seja permitida entrada às competências mais necessárias, para proteger a maioria dos postos de trabalho locais.
Enquanto existirem vistos, mantêm-se os registos do passaporte que informam quantos países pode visitar sem necessitar de visto. Nas próximas férias, assegure-se de que faz o seu pedido de visto com antecedência.

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