Mercado

Emissão de eurobonds no 2.º turno

11/08/2017 - 14:12, Opinião

Entre 2010 e 2015, mais de dez nações africanas recorreram à emissão de títulos de dívida soberana em moeda externa para conseguirem financiar a sua economia.

Por Aylton Melo 

aylton.melo@mediarumo.co.ao 

Entre 2010 e 2015, mais de dez nações africanas recorreram à emissão de títulos de dívida soberana em moeda externa para conseguirem financiar a sua economia. Uma prática que tem vindo a ser recorrente, depois da queda dos preços das commodities nos mercados internacionais na segunda metade de 2014, contrariando o boom da primeira década do século XXI. Nesse período, nações como Angola, Costa do Marfim, Senegal, Ruanda, Nigéria e Tanzânia colocaram nos mercados de dívida cerca de 20 mil milhões USD em eurobonds.

Angola estreou-se, em Novembro de 2015, através de um consórcio de bancos que tiveram carta-mandato para actuarem como agentes em representação de Angola nas emissões de títulos de dívida soberana nos mercados de capitais internacionais. Com um sindicato liderado pelo norte-americano Goldman Sachs International, que incluiu o alemão Deutsche Bank e o chinês, ICBC International, o País conseguiu reunir cerca de 1,5 mil milhões USD, num prazo de maturidade de dez anos uma taxa de juro de 9,5%.

Entretanto, até Julho de 2016, a taxa chegou aos 10,41%, sendo o valor mais alto desde Abril daquele ano.

O facto é que a esta estratégia foi considerada pelo Governo de tal modo exitosa, que volta agora para um segundo turno, já que a primeira emissão “contribuiu para o estabelecimento de um novo e importante canal de acesso ao financiamento externo”, alude o recente Despacho Presidencial n.º 229/17, de 4 de Agosto. O documento autoriza o ministro das Finanças a “executar as acções e implementar as medidas que possibilitem a conclusão dos trabalhos que conduzirão a realização do financiamento externo até o montante de 2 mil milhões USD”. Além de o País ganhar visibilidade em mercados onde estão os maiores investidores da alta-finança, pode de facto ganhar a aposta, tendo o encaixe necessário para cobrir as dificuldades do Estado. Além disso, as emissões de dívida soberana colmatam a quebra nas receitas fiscais, permitindo o acesso a divisas de que o País tanto necessita para garantir importações de bens alimentares e matérias-primas.

A verdade é que existe, por outro lado, o perigo de o País, ainda que não recorra abundantemente à emissão desses títulos, agravar o rácio da dívida externa em relação ao seu Produto Interno Bruto (PIB).

E, numa altura de crescimento económico fraco, a situação torna-se realmente preocupante. A queda nos principais indicadores económicos tem um preço, reflectido no aumento dos juros que teremos de pagar daqui a 10 ou 20 anos. Outro legado que fica naturalmente para os próximos governantes, a contar desde os resultados do pleito eleitoral, no próximo dia 23 de Agosto.

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