Mercado

Emissão de project bonds

12/12/2016 - 11:52, Opinião

A Comissão do Mercado de Capitais está a levar à cabo a elaboração da sua estratégia para o período que vai de 2017 a 2022, auscultando os principais stakeholders da instituição, para captar e compreender as suas expectativas sobre a evolução do mercado de capitais em Angola, no domínio da promoção.

Por Estêvão Martins

estevao.martins@mediarumo.co.ao 

Nota positiva para a CMC em procurar elaborar um plano mais ajustado ao actual contexto face às previsões macroeconómicas para os próximos cinco anos. Com certeza que os project bonds serão, no curto prazo, das premissas do programa em elaboração. Afinal sectores como da energia e água que no OGE 2017 se apresenta com uma carteira de investimentos públicos de 240 mil milhões Kz (1,4 mil milhões USD) merecem atenção especial da CMC. É muito dinheiro público para acudir diferentes sectores da economia sem recursos financeiros, embora pouco para o desenvolvimento de toda a cadeia do sector da energia e águas em Angola.

Em project bonds as obrigações permitem financiar grandes projectos de infra-estruturas, uma realidade muito crescente actualmente nos mercados de capitais internacionais. O Governo continua, por exemplo, a fazer estudos para mapear o potencial eólico de Angola e ainda prevê a construção de um parque eólico no Namibe aproveitando as características propícias do deserto com mesmo nome. Um dos sucessos no mundo, e apontado como modelo, é o da empresa inglesa Greater Gabbard, detentora de uma concessão eólica offshore, quando em Novembro de 2013 emitiu obrigações de 305 milhões de libras, a uma taxa de juro de 4,137%, e com maturidade em 2032 (20 anos). Sabe-se que os fundos obtidos com a emissão de obrigações destinaram-se a financiar uma rede de transmissão de energia, de uma produção eólica offshore para a rede eléctrica do Reino Unido, ficando o rendimento obtido com a rede afecto ao pagamento da dívida.

Um passo da CMC rumo aos project bonds pouparia dinheiros públicos. Naturalmente que os investimentos em infra-estruturas básicas não ficariam pelo sector da energia. Abrangeriam também sectores das comunicações, saneamento, transportes perante as dificuldades do Governo fruto de restrições orçamentais e fundamentalmente num contexto de crise financeira.

À CMC estão reservados ainda desafios que, eventualmente, constarão do seu plano para os próximos cinco anos, após êxito com o mercado de dívida pública.
A instituição precisa estrear e consolidar o mercado de dívida corporativa, o segmento de fundos de investimento, mercado de acções e mercados futuros. Oxalá até 2022 o crescimento do País seja muito assinalável com o apoio do mercado de capitais.

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