Mercado

Empreendedorismo no século XXI

30/01/2018 - 09:11, Opinião

A inovação permite que as empresas tenham melhores resultados, por vezes,com menos recursos.

Por Kamia Vasconcelos

Licenciada em Políticas e Gestão

O mundo está cada vez mais em constante e rápida mudança, e com isso, tudo à volta muda no mesmo ritmo e proporção. Um bom exemplo destas mudanças será o do velho paradigma do ‘emprego seguro para o resto da vida’, que tem vindo a desaparecer. O mercado de trabalho está diferente e as profissões tão em voga há uns anos já não são as mesmas, assim como a garantia da longevidade no posto de trabalho. Actualmente, as perspectivas profissionais são muito menos definidas, mais imprevisíveis e com mudanças mais frequentes.

Ao contrario do trabalhador do século XX, que vivia sob padrões sociais pré-definidos que garantiam uma carreira profissional para a vida, neste século XXI os trabalhadores vivem sob o jugo da necessidade constante de desenvolver capacidades e competências que diferem em muito dos conhecimentos e aptidões do século anterior. Os trabalhadores de hoje, nesta era das novas tecnologias e da informação, têm que estarem constante processo de aprendizagem e serem capazes de trabalhar com tecnologias sofisticadas, assumir flexibilidade ao invés de estabilidade, para garantirem o emprego e, acima de tudo, criarem as suas próprias oportunidades. Os pressupostos desta era passaram a assumir que a carreira pertence ao indivíduo e não à organização que o emprega, o que significa que o empregado é, hoje, em grande parte, responsável pela liderança do seu percurso profissional.

Nesse contexto, cada vez mais pessoas se sentem pressionadas para atingirem o sucesso profissional a qualquer custo, mais sobrecarregadas, e muitas vezes mal pagas, com menos tempo livre e de qualidade.

Cada vez mais o ‘pacato’ cidadão questiona e explora a existência de outras maneiras de ‘sobreviver’ que não impliquem somente trabalhar para terceiros. No seio deste mundo globalizado e incerto, insurge-se mais e mais a ideia do empreendedorismo privado como alternativa aos sistemas instituídos, muitas vezes viciados e pouco fiáveis. Ser empreendedor, nos dias de hoje, está gradualmente a ser associado a encontrar uma forma mais rápida de se ser bem-sucedido. Possuir um negócio próprio apresenta-se, assim, como uma solução em que cada vez mais pessoas estão dispostas a investir em alternativa à ideia remota do emprego seguro.

A iniciativa privada tem sido, ao longo dos tempos, reconhecida como um dos mais importantes motores de inovação e desenvolvimento económico de qualquer nação, sendo por isso considerada um dos fenómenos fundamentais para o desenvolvimento económico, explorando oportunidades que permitem lidar de forma mais versátil com a incerteza do futuro dos dias de hoje. O empreendedor é, normalmente, um empresário que possui perseverança, tem energia, fixa metas e faz de tudo para alcançá-las. É geralmente tido como inovador, criativo, conhecedor e como um profissional que gosta do que faz. Hoje em dia, os empreendedores são vistos como pessoas ousadas e com iniciativa, que assumem riscos e escolhem um caminho pouco ou nada explorado no contexto económico em que se encontram, de modo a conseguirem vingar nos seus objectivos. São eles que geram empregos, que introduzem inovações e estimulam o crescimento económico.

Foram feitos, ao longo dos anos, muitos avanços na sociedade que tornaram mais fácil ao empreendedor do século XXI começar e sustentar o seu próprio negócio. Muitos países, e Angola não foi uma excepção, começaram a perceber a importância de ajudar os seus
cidadãos a começar o seu próprio negócio, porque as pequenas empresas são uma das chaves para o aumento do potencial de desenvolvimento económico.
Nessa linha, em Maio de 2012, foi inaugurado em Luanda o primeiro Balcão Único do Empreendedor (BUE), e desde então tem vindo a haver um considerável aumento no número de micro, pequenas e médias empresas, resultado directo da possibilidade de constituição de uma empresa em 24 horas (licenciamento da actividade) e aquisição de um microcrédito para fomento da actividade empreendedora.

A intenção é exactamente ajudar e incentivar a população a constituir novos negócios contribuindo assim para a redução dos índices de pobreza e a melhoria da qualidade de vida. Tendo em mente que a crise é hoje um ‘fenómeno mundial’, quase constante ou pelo menos intermitente, pode afirmar-se que o empreendedorismo está para as novas gerações como um dado quase adquirido.

É necessário empreender, criar negócios inovadores, seja por necessidade ou por oportunidade.

A definição de ‘negócios’, até ao século passado e durante vários anos, podia ser resumida como “fornecimento de bens e serviços para satisfazer necessidades e desejos humanos”, mas hoje esse conceito básico já não pode ser aplicado se se quiser prosperar e encontrar um lugar ao Sol, dentro do mundo do empreendedorismo.

Na verdade, poder-se-ia dizer que já há pessoas e negócios mais do que suficientes a fornecer bens e serviços aos clientes e que por isso, esses clientes estão agora à procura de algo que não seja comum e que os surpreenda, sendo a criatividade e a inovação dois factores fundamentais do sucesso dos novos negócios. Num contexto exacerbado, poder-se-á dizer que uma ideia absolutamente ‘louca’, tem potencial para estar mais perto do sucesso nos dias que correm, do que teria há décadas atrás.

O Facebook de Mark Zuckerberg é um bom exemplo de como a ideia anteriormente ‘absurda’ de usar a internet para fins sociais, acabou por mudar todos os paradigmas que existiam até então e juntamente com outros websites dedicados ‘à socialização’ (hoje em dia conhecida como networking) revolucionaram totalmente o uso da internet e lançaram o fenómeno das redes sociais de hoje.

A abertura de novas e diversificadas empresas é, sem dúvida, uma tendência em franca ascensão neste século XXI, com os jovens millennials a iniciarem os seus próprios negócios, pois têm assim a liberdade criativa que procuram e a flexibilidade de horário de trabalho, mantendo-se donos de si mesmos. Vêem-se assim aparecer cada vez mais empreendedores com negócios inovadores, extensíveis e passíveis de serem instalados em qualquer mercado.

O objectivo é encontrar e criar novos recursos para satisfazer as necessidades dos consumidores, e a inovação permite que as empresas obtenham melhores resultados muitas vezes com o uso de menos recursos, em grande parte, por explorarem soluções que não estão instituídas, não envolvendo concorrência, ao mesmo tempo que levam a cabo essa exploração no meio digital, que envolve mais o conhecimento técnico e menos a logística.

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