Mercado

A globalização e o comércio livre

24/01/2017 - 11:32, Opinião

O mundo esteve de olhos postos sobre Davos, uma comuna dos Alpes Suíços, que acolhe desde 1971 o encontro anual das elites políticas, empresariais, intelectuais e jornalistas de todo o mundo. Mas este último foi o maior de todos os tempos, não só por causa das discussões…

Por Aylton Melo 

O mundo esteve de olhos postos sobre Davos, uma comuna dos Alpes Suíços, que acolhe desde 1971 o encontro anual das elites políticas, empresariais, intelectuais e jornalistas de todo o mundo. Mas este último foi o maior de todos os tempos, não só por causa das discussões à volta das questões mais preocupantes da humanidade; ou dos mais de 3 mil participantes de 100 países diferentes, incluindo 1200 CEO; pelos mais de 50 chefes de Estado e de governo; ou ainda porque o presidente chinês, Xi Jinping, esteve pela primeira vez neste fórum, defendendo a globalização e o comércio livre no seu discurso de abertura , foi sobretudo por causa dos receios que pairam sobre uma ameaça à globalização e ao comércio livre. Ameaça promovida pelo recém-empossado presidente dos EUA, Donald Trump, desde o início da campanha que o conduziu à Casa Branca. Trump prometeu alterar os acordos comerciais internacionais, sob o pretexto de proteger a indústria norte-americana da concorrência estrangeira.

Ele promete também aumentar as taxas sobre mercadorias importadas, especialmente da China e do México. Por outro lado, ele garante que muitas empresas americanas voltarão a investir no País, dando como exemplo as indústrias automóvel, farmacêutica e infra-estruturas. Essa plataforma económica do novo presidente dos EUA pode ser vista como positiva, já que o investimento efectivo nessas indústrias beneficiaria o emprego, as indústrias de matérias-primas, como o minério de ferro, e as siderúrgicas americanas. Mas essas promessas podem ser inexequíveis num mandato. Para tal, teria de investir o dobro do prometido pela ex-candidata Hillary Clinton.

A democrata falava em 275 mil milhões USD em cinco anos. Por outro lado, as promessas de medidas proteccionistas que dificultem o acesso àquele mercado, fizeram acender a luz amarela entre as principais agências de notação de risco.

A Fitch afirma que a aprovação de tais medidas pelo Congresso americano terá implicações adversas para o investimento, o crescimento económico dos EUA e impulsionará os preços, sobretudo se houver medidas retaliatórias de outros países e as conhecidas guerras cambiais. A Moody’s afirmou que essas medidas serão negativas para sectores como os de automóveis, petróleo e tecnologia. As principais empresas estrangeiras que têm negócios estratégicos com os EUA, especialmente as que exportam para este mercado, estão a adoptar um efeito reactivo positivo. Cogitam voltar baterias para mercados como o mexicano, chinês e potencialmente africano, como forma de reduzir a dependência das relações com os EUA.

Mas, se houver um estreitar de relações entre Vladimir Putin e Trump, a Rússia pode reduzir a importação de produtos da América do Sul. E o que Pequim diz de tudo isto, se os EUA se voltarem para dentro? “A China manterá as suas portas sempre abertas”, disse Xi Jinping. Contudo, o cartão vermelho que Trump está a dar à integração económica dá voz aos críticos da globalização, aos que dizem que não está a ajudar a resolver os problemas das desigualdades no mundo.

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