Mercado

Há alturas em que é preciso moderar e unir esforços

23/02/2017 - 16:03, Opinião

“Não pretendas apagar com fogo um incêndio, nem remediar com água uma inundação.”

Confúcio

Por Campos Vieira

Movemo-nos todos, na actual conjuntura, por assumir enormes desafios, realizar grandes transformações e enfrentar dificuldades e problemas implicando forte stress na gestão.

É uma altura em que se torna necessário proceder a cortes de custos, efectuar reestruturações, seguir critérios puros e duros de racionalidade económica.
Daí pode decorrer um ambiente de grande tensão nas empresas com os trabalhadores, os fornecedores, os bancos e os órgãos da administração pública.

Neste quadro se vê a resiliência de um empreendedor, de um administrador e um chefe em geral, a par de outras qualidades exigíveis a qualquer gestor.
A questão que se coloca é se, a partir de determinado ponto, este clima não acrescenta valor e, até, traz efeitos perversos, ou seja, produz exactamente um efeito oposto ao pretendido, principalmente se é acompanhado de muito ruído e crispação feito por vezes artificialmente e sem controlo.

Isso deve conduzir a fazermos, periodicamente, uma avaliação nesse domínio e percebermos exactamente se não será um momento de “tréguas”, como em qualquer “guerra”, no caso empresarial, que estejamos a travar.

A variável velocidade pode, nessas circunstâncias, justificar um abrandamento, uma paragem ou mesmo, no limite, um retrocesso desde que controlado.
Nesta última hipótese, estaríamos dentro do objectivo táctico de dar um passo atrás para depois dar dois à frente…

A obtenção de resultados de curto prazo em projectos ou processos de reestruturação, aliados a objectivos consistentes de médio/longo prazos, mostra-se igualmente essencial como percepção de uma realidade de recuperação e progresso.

Aqui estamos a seguir a teoria dos pequenos passos… para chegar longe.

Esta lógica, partindo da empresa, vai abarcar as famílias pela via dos seus trabalhadores e a generalidade dos stakeholders.

Há o critério de oportunidade a seguir também na gestão: as mesmas medidas podem ser boas em certas ocasiões e más noutras.

Nesta conjuntura não estaremos a viver num clima de enorme divisão, demasiado ruído e brutal crispação em determinados meios da nossa sociedade civil e económica?

Não será de se privilegiar, nesta fase, a cooperação e a interajuda, em termos institucionais, entre outros, empresários, gestores, banqueiros e políticos?

Não será oportuno aprofundar-se uma plataforma institucional de entendimento e conjugação de esforços, entre tais actores da vida empresarial e pública, em que se articulam posicionamentos funcionando como uma “orquestra” e se reforça o espírito de unidade que contagiará positivamente toda a nossa sociedade?

É que o interesse comum é bem superior ao benefício individual e conforma-se ao interesse nacional.

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