Mercado

Inflação, seis meses depois…

20/07/2017 - 08:40, Opinião

Depois de um ciclo em que os preços subiram ano a ano, poucos acreditam que, em 2017, a inflação caia para níveis próximos das metas que o Governo traçou (15,8%) para a inflação acumulada.

Por Aylton Melo 

aylton.melo@mediarumo.co.ao 

Depois de um ciclo em que os preços subiram ano a ano, poucos acreditam que, em 2017, a inflação caia para níveis próximos das metas que o Governo traçou (15,8%) para a inflação acumulada. A novidade é que, volvidos seis meses do ano em curso, na análise que propomos nesta semana, os economistas abordados apontam para uma taxa de inflação perto dos 20% até ao final do ano. A outra tese é de que existem poucas soluções que tendem a conter essa marcha em curto prazo, enquanto o petróleo for a principal fonte de receitas do País.

Isso significa que os factores determinantes para que tal fenómeno aconteça persistem (apesar da relativa estabilização do preço do barril do Brent acima dos 45 USD).

Como se sabe, a subida generalizada dos preços, facilmente associada à queda do preço do barril de petróleo nos mercados internacionais, teve impacto negativo sobre a taxa cambial (limitação na circulação de divisas) e redução das importações em mais de 35% em 2016, de acordo com o Conselho Nacional de Carregadores (CNC).

Estes factores impactaram fortemente sobre a taxa de inflação. Em resposta, o Estado executa acções combinadas, como, por exemplo, a utilização dos recursos cambiais de forma ponderada, priorizando a importação selectiva dos bens de primeira necessidade e dos insumos necessários à sua produção – e um esforço de política macroeconómica para a criação de infra-estruturas que potenciem e revitalizem a produção nacional.

O jornal Mercado acompanha a evolução da subida dos preços, bem como as medidas tomadas pelo Executivo para conter os impactos que esta subida causa sobre a vida dos agentes económicos. É neste gladiar de forças que o Estado tem de garantir, na melhor das hipóteses, a vitória, porque a alternativa é desastrosa, fazendo lembrar períodos em que esses níveis ficaram registados nos anais da história do País.

Há 26 anos, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o custo de vida no País atingiu o pico máximo anual (3783%) e, noutro extremo, um mínimo histórico em 2014 (7,5%). Neste período, o destaque recai para o mês de Julho, com um recorde de baixa de 6,8%.

O Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2015 tinha fixado uma meta (9%) que foi vencida. Em Outubro do mesmo ano, a inflação atingiu os 11% e prosseguiu a sua marcha ascendente. A taxa de inflação na economia angolana, no início de 2016, foi de 14,27%, ultrapassando meta anual prevista (12%). Mas o poder de compra do cidadão ficou dilacerado em cerca de 40% até o final desse ano. Uma descida tendência, no entanto, de Janeiro a Junho de 2017, mantém, de acordo com o INE, a taxa média mensal em 2,1%. Mas a desaceleração da subida ou a redução da inflação só lograrão os seus efeitos se houver de facto uma restruturação da economia, adicionada aos esforços contínuos de gestão fiscal razoável e eficiente. Assim, o crescimento económico voltará, tal como a taxa de inflação a um dígito.

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.