Mercado

Inovação para a inclusão

16/11/2016 - 09:27, Opinião

O sector bancário é, sem dúvida, o que mais contribuiu para o aumento da inclusão financeira no País, através dos seus serviços, nos últimos cinco anos. Mas, ainda assim, de acordo com as projecções do Estado, a taxa de bancarização estará a crescer pouco mais de 20% entre 2013 e 2017, estando agora, segundo o BNA, estimado em 52,8%.

Por Aylton Melo 

Com mais de 50% das 800 agências bancárias existentes no País concentradas em Luanda, não é difícil constatar que, em termos de inclusão financeira, Angola caminha a passos lentos.

Mas pode realizar em poucos anos aquilo que levou décadas a ser feito em outras geografias. Então como é que os bancos poderiam contribuir mais para que haja maior inclusão financeira no País, nos próximos anos? Terá de haver uma mudança de paradigma, ou seja, a banca angolana deverá alargar a base da pirâmide, sem reduzir o apoio que dedica aos sectores estruturantes da economia, nem a atractividade que as transacções cambiais ou os títulos de dívida pública proporcionam, mas diversificando os canais de acesso aos seus serviços , por exemplo. Conforme aponta o 11.º estudo Banca em Análise,da Deloitte, “espera-se que os bancos continuem a desenvolver esforços para adaptar a oferta de produtos e serviços aos diversos segmentos, com propostas de valor distintas e enfoque na inovação”.

A banca poderá oferecer serviços, canais e produtos financeiros que correspondam às necessidades e à situação actual através da inovação. O sector pode liderar a migração para a era da economia digital, no País. E que já está acontecer fora de portas. O director do Departamento de Educação Financeira do BNA, Avelino António, disse no IV Fórum Internacional de Inclusão Financeira que a inovação significa que os sistemas de pagamentos via telemóveis fossem massificados, como uma porta de entrada para incrementar a bancarização e a inclusão financeira.

Naturalmente um avanço em termos dos sistemas de pagamentos via telemóveis implicaria outro desafio, relativamente à regulação. Entretanto, as companhias de telecomunicações e em especial de serviços móveis também deverão conceder tarifas razoáveis para que as pessoas que usam o celular efectuem operações financeiras sem ter de pagar tanto pelos custos das transacções.

Devem considerar que estas ferramentas terão no futuro um enorme impacto social. Como vantagem, permitirá, por via de uma tecnologia à mão, fazer operações bancárias em tempo real e a baixo custo. Portanto, terá de haver acordos entre as companhias de telecomunicações e os bancos para que possam responder às necessidades e à situação do País.

Este desafio visa a expansão do mercado bancário, buscando novos nichos. Por outro lado, os bancos precisam de melhorar a sua imagem. O que significa que precisam demonstrar ao País que eles têm interesse de apoiar as populações, sem perdas, mas com ganhos.

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