Mercado

A livre iniciativa e os jovens empresários

07/04/2017 - 11:33, Opinião

Há uma velha questão que se coloca sobre o sistema económico de qualquer país: qual o peso do sector privado versus sector público e respectiva predominância.

Por Campos Vieira

Está em causa o próprio modelo de sociedade desejado pelos cidadãos de cada país, modelo esse que tem evoluído ao longo dos tempos e certamente sofrerá mudanças de perspectiva no futuro.

Parece hoje dominante a ideia de que a iniciativa empresarial privada tem virtualidades enormes, devendo constituir o motor de desenvolvimento económico, mas sujeito a regras de regulação e supervisão rigorosas e eficazes.

Porém, mais importante do que a formulação teórica ou política deste princípio, importa a sua aplicação prática, o mesmo é dizer avaliar as condições de que o empresariado efectivamente dispõe para desenvolver a sua actividade, a começar pela criação da sua empresa e o lançamento do negócio.
Este é o momento-chave de exercício do princípio da livre iniciativa privada.

Referimo-nos, obviamente, a sectores ou ramos de actividade não vedados aos privados, o que constitui uma franja maioritária da economia angolana, embora muito dependente dos “dinheiros” do sector público.

Pode um angolano, por hipótese, um jovem empresário, pensar num negócio e avançar com a sua própria empresa, partindo do pressuposto de que possui um projecto viável e dispõe de competências para o seu sucesso?

Hoje podemos dizer que a facilidade de liquidez não é a mesma do que há uns tempos, estando agora mais dificultado o acesso ao crédito por razões de conjuntura.

Por outro lado, subsiste a necessidade de se dispor de instrumentos significativos e activos de capital de risco que dotem as empresas dos necessários capitais próprios de arranque dos projectos. Porém, mesmo pressupondo que estão reunidas todas as condições de viabilidade, competências, financiamento e capitais próprios do projecto, o jovem aspirante a empresário pode considerar que chegou a sua vez de arriscar e decididamente avançar na realização da sua aspiração? Quantos destes casos ficam pelo caminho e porquê?

Será que o potencial empresário, quando confrontado com o processo que deve seguir de autorização administrativa, vê o seu pedido arrastar-se sem resposta, e aparece mais tarde a sua ideia “roubada” por terceiros ligados à administração pública?

Quantas situações de conflito de interesses vão ocorrendo, tão prejudiciais ao desenvolvimento de um ambiente saudável no País e afectando o surgimento de uma nova classe empresarial?

É uma avaliação que deve ser feita quando o País precisa urgentemente de novos projectos e de novos empresários.

Temos de reconhecer que temos uma classe reduzida de empresários que importa alargar e renovar.

Sem isso, será muito difícil lograrmos o objectivo de diversificação da economia, o qual, por seu turno, vai potenciar o alargamento e a renovação da nossa classe empresarial.

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