Mercado

Mercado de bolsa

22/11/2016 - 10:23, Opinião

Na semana passada aconteceu mais um marco na história do País, que é a abertura inaugural do mercado de bolsa, que ocorre em simultâneo com o lançamento da Central de Valores Mobiliários de Angola.

Por Aylton Melo 

A partir de agora, não serão só os bancos a terem acesso aos títulos de dívida pública, como também qualquer cidadão, através da bolsa de valores.

“Qualquer pessoa que tenha algumas poupanças pode agora criar a sua carteira de títulos do Tesouro, recorrendo aos serviços da BODIVA e dos seus agentes de intermediação”, disse o ministro das Finanças, Archer Mangueira, no acto inaugural. Os títulos do Tesouro e das empresas podem então ser negociados em ambiente multilateral, isto é, quando o detentor de um título precisar de liquidez, o mesmo poderá colocar os seus títulos à disposição, através do banco ou de outro intermediário creditado, podendo ser inclusive um corrector bolsista e ter assim todo o mercado a olhar para o seu título e a oferecer o melhor preço negociável.

Com a entrada em funcionamento do mercado de bolsa de títulos do Tesouro (MBTT) e da Central de Valores Mobiliários, estão criados mais instrumentos para ajudar a restruturar a nossa economia, que vai acelerar determinadas privatizações no aparelho do Estado e consolidarmos a entrada de facto de uma economia de mercado no País. Por outro lado, neste mercado, o investidor pode diversificar o risco, partilhando com outros investidores. Nos bancos, o investidor não possui esta vantagem e, portanto, o mercado de capitais gera maior confiança. É também um importante meio de atracção de investimento privado nacional e estrangeiro.

Desta forma, o novo mercado pode explorar o potencial dos agentes económicos. Deve-se desde já trabalhar mais na divulgação dos canais de acesso. Contudo, este é um passo importante, mas que acontece num momento delicado da economia nacional, que está em desaceleração, com o PIB a crescer 1,2% de acordo com o OGE 2016 revisto. Uma economia que cresce a níveis próximos da estagnação significa que as empresas têm problemas – ou estão a falir ou estão a escassear todas as prerrogativas internas e externas que promovam sustentabilidade.

Outrossim, se não está a gerar emprego suficiente em toda a cadeia de valores, desde o sector produtivo, serviços até ao comércio, para que gere rentabilidade e circulação de capital, principalmente no financeiro, que dinâmica se espera para o novo segmento do mercado bolsista nacional? Ainda que a maturidade dos juros seja atractiva, ainda assim, a moeda nacional sofre impactos fortes de desvalorização e os níveis de inflação acumulada continuam acima dos 36%.

Será igualmente necessário uma restruturação urgente da economia, para que a médio prazo, se se eliminar as barreiras que desincentivam o investimento privado e descontinuam o surgimento de novas empresas pujantes, o País poderá então contar com o sucesso dos diferentes segmentos do mercado de capitais criados e futuros.

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.