Mercado

Mudança de percepções

13/02/2018 - 12:31, Opinião

As taxas de juro são, em rigor, uma forma que as instituições financeiras têm de enxugarem o dinheiro do mercado e, quanto maiores forem, mais tiram capital que deixa de estar na mão das famílias e empresas, a curto, médio ou longo prazos.

Por: Aylton Melo

As taxas de juro são, em rigor, uma forma que as instituições financeiras têm de enxugarem o dinheiro do mercado e, quanto maiores forem, mais tiram capital que deixa de estar na mão das famílias e empresas, a curto, médio ou longo prazos. Elevadas taxas de juros, entretanto, afectam negativamente o consumo e o investimento. As famílias e empresas ficam desestimuladas de gastar e, como efeito, a economia fica menos aquecida. A inflação acumulada, a depreciação da moeda, ou outros factores de desequilíbrio observados e analisados em determinados períodos são apontados como consequências ou factores decisivos para que o Comité de Política Monetária (CPM) altere a taxa básica de juro.

Em Angola, as taxas estão entre as mais altas de África e muito acima das praticadas por economias industrializadas. Mas a mais importante de todas é a taxa básica de juro, ou Taxa BNA, que afecta a vida de todos os agentes económicos. Esta relação entre as taxas gera, naturalmente, controvérsia, entre as diferentes correntes económicas. Nos EUA, a taxa básica da Fed é de 1,25%, enquanto o Copom (Comité de Política Monetária do Brasil) continua a baixar a sua – fez 11 reduções consecutivas, para níveis históricos de 12%, em 2015, para 6,75%, na última quarta-feira, para estimular o consumo. O Brasil iguala a taxa da África do Sul. No caso de Angola, mantém-se em 18% desde Dezembro de 2017. Todos os indicadores económicos que influenciem a subida ou descida das taxas de juro estão atrelados à mudança de hábitos nocivos à economia – e que estão, de certa forma, enraizados. Isto implicaria uma mudança de 180º da percepção da realidade macroeconómica, das políticas monetárias e fiscais vigentes no País.

Aparentemente, deve começar pelo Governo, porque os bons exemplos devem partir de cima. Afinal, estamos só a um mês do prazo que o Executivo fixou no seu Plano Intercalar (Outubro 2017 a Março de 2018) para “alterar as expectativas racionais dos agentes económicos”. Será que estaremos a concorrer para a criação de um cenário propício que permita à banca conceder crédito à economia real? O Estado, de acordo com a Proposta do OGE para 2018, continuará a ser o maior devedor e, ao mesmo tempo, o que mais gasta, ‘sugando’ a poupança que a banca pode gerar, devido à sua necessidade constante de financiamento. Uma diminuição da taxa básica de juro aumenta as chances de a banca conceder empréstimos às famílias e às empresas. Essa despesa extra traduzir-se-ia num aumento do PIB nominal (valor da produção nacional a preços de mercado). Portanto, a mudança de percepção e comportamental é a ‘chave’ para que os investimentos e financiamentos que estão à vista, e que poderão ser captados via imposto, Tesouro ou privado, tenham respaldo na qualidade de vida da população.

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