Mercado

Nem sempre um bom empresário é um bom gestor

13/01/2017 - 13:52, Opinião

A História está cheia de grandes nomes de empresários, sendo simultaneamente ou não empreendedores e gestores dos seus negócios.

Por Campos Vieira

Nem sempre houve sucesso nesse papel em comum. E não tinha de haver. Assim, a nosso ver, será recomendável a separação da qualidade de empresário e de gestor executivo, até porque a configuração do governo da sociedade pode perfeitamente enquadrar esse princípio ao admitir, por exemplo, um Conselho Consultivo Estratégico e um Conselho de Administração Executivo.

Esse figurino comporta a virtualidade, além da separação de poderes, de potenciar a capacidade de cada qual: o sentido estratégico do empresário e o da gestão corrente do administrador executivo. São exigências muito fortes que se colocam hoje no mundo global da concorrência: uns pensam a longo prazo, no melhor interesse do futuro da empresa, e outros asseguram o dia-a-dia do seu funcionamento dentro das melhores condições de eficiência operacional.

É evidente que tem de haver articulação entre as partes em todos os planos, apesar de domínios de intervenção específicos e zonas de acção próprias.

Isso não impede, por seu turno, que cada parte não assuma as suas responsabilidades e é bom que o faça, pois, por vezes, vive-se num certo impasse em que o empresário tem uma visão de negócio diferente que é importante avançar, mas a gestão fica enleada em estudos e mais estudos, jamais decidindo à espera da indiscutível ponderação prospectiva. Ora, aí, mostra-se necessário um empresário experiente e visionário que, assumindo em última instância os riscos inerentes ao capital investido, tome as rédeas das grandes opções e faça a empresa evoluir em vantagem competitiva com os seus concorrentes.
O futuro tem tantas incógnitas, que, por vezes, só o empresário está em condições de avançar com mudanças de rumo da empresa, envolvendo a criação de novos negócios ou a desactivação de negócios actuais, usando toda a gama de situações de sucesso e insucesso vivenciadas no passado e o seu “instinto” peculiar de grande investidor e empreendedor.

Não há muitos empresários com essas qualidades excepcionais, mas terão, na sua maioria, uma característica em comum: deixam depois aos gestores profissionais desenvolver os negócios com inteira autonomia e exigem-lhes resultados adequados pelos capitais investidos. Quantos empreendedores, ao se envolverem na gestão corrente da empresa, deixam de revelar essas qualidades estratégicas e evidenciam todas as deficiências que possuem na montagem de processos e procedimentos, na gestão de pessoas e no funcionamento geral da organização?

Já todos ouvimos falar em que este ou aquele empresário é um excelente “comerciante”, mas não é um grande gestor.

Não há nenhum mal nisso, antes pelo contrário. O que interessa é que cada um, nessas circunstâncias, o empresário e o gestor, dê o melhor de si, numa relação de interacção e respeito mútuo no papel que lhes cabe desenvolver em benefício do seu conjunto.

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