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Numa organização, ninguém deve ser insubstituível

06/04/2017 - 10:42, Opinião

O objectivo de conseguir o melhor índice de eficiência organizacional numa empresa constitui a ambição natural de um verdadeiro líder.

Por Campos Vieira

Tal como as pessoas, não existem organizações perfeitas, pelo que a perfeição organizacional constitui um ideal a prosseguir persistentemente sabendo que jamais será atingido.

Diremos que a perfeição se apresenta como um objectivo móvel a todo o momento, ou, de outra forma, quantificando a excelência organizacional numa escala de 0 a 100, este valor limite nunca é conseguido, mas poderá chegar teoricamente a 99.

Aqui posicionados, que indicador relevante, entre vários, poderá traduzir o grau de eficiência organizacional de uma empresa de 0 a 99? Escolhemos a capacidade que ela própria tem de “funcionar em automático” mesmo que falte este ou aquele chefe, incluindo administradores, evidenciando uma boa e rápida adaptação a essa falta, não havendo lugar a hiatos de decisão ou de processo executivo. Como é que isso se consegue? Destacamos o desenvolvimento de uma política organizacional que torne qualquer recurso humano substituível a todo o momento, por via, nomeadamente de forte rotação das pessoas pelos postos de trabalho, a começar pelos membros do Conselho de Administração que devem passar por todos os pelouros. Quantos têm antiguidade mas não têm experiência?

combate implacável ao individualismo quando subtrai em vez de adicionar valor, valorizando o trabalho em equipa. Quantos vivem o seu ego e não a empresa?; acesso fácil pelo substituto, quando necessário, aos meios de informação e outros inerentes ao posto de trabalho. Quantos escondem os dossiês/a informação para seu benefício pessoal e não na perspectiva da confidencialidade exigível?; promoção de uma boa bolsa de talentos dispondo de excelente formação profissional e experiência multifuncional na empresa. Quantos se arrogam de talentosos pelo “canudo ” ou pela “alta especialização” e não pela demonstração efectiva de resultados em vários campos na empresa?; colocação da seguinte questão por qualquer chefe na sua gestão quotidiana: se amanhã eu “partisse”…, como continuaria o serviço e quiçá a empresa? Quantos professam a máxima de “quem vier que feche a porta” e não adoptam uma visão de continuidade, para além de si próprio, em termos da empresa e da sociedade?

É verdade que existiram e existem líderes que fundaram ou transformaram empresas de grande sucesso, tornaram-se carismáticos e considerámo-los singulares e únicos numa determinada época. Porém porque ambicionaram uma organização perfeita, souberam, na sua maioria, criar as condições para a sua substituição e continuidade da empresa.

Um grande líder, cada vez mais, terá de conviver com este paradoxo: para o ser, terá de fazer funcionar automaticamente a empresa como se não fizesse falta, mas não fazendo falta, então poderá ser substituído. Resta-lhe a opção de estar sempre à frente dos outros que vão surgindo, evoluindo constantemente em novos patamares de exigência, mas sem nunca recolher a escada por onde subiu na empresa impedindo que outros talentos possam subir a mesma escada.

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