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O estilo do gestor

09/12/2016 - 11:23, Opinião

Quando alguém é questionado para emitir opinião sobre este ou aquele gestor, o primeiro juízo de valor incidirá sobre o estilo de gestão, visto este na forma autoritária ou serena de gerir a empresa.

Por Campos Vieira

Associada ao autoritarismo temos a propensão para a adopção de medidas de ruptura perante os desafios que se colocam na gestão.

Ao contrário, o gestor sereno actua predominantemente “em pequenos passos”, procurando “levar a água ao seu moinho” sem grandes ondas ou tempestades.
Esta dupla visão é evidentemente exposta nos extremos, estando a maioria dos gestores, provavelmente, entre esses extremos e, acima de tudo, adaptando o seu estilo às circunstâncias de momento, ora sendo mais disruptivos ou conciliadores.

No entanto, não deixa de marcar o “trend” de intervenção do gestor, aquilo que o define perante os outros e transmite a sua imagem de marca.
É evidente que um gestor não pode ser visto só nesta bivalência, longe disso, mas é em torno disso, eventualmente, que outras qualidades podem agregar-se e sintetizar-se naquilo que se pode definir como o seu “drive” de gestão mais “musculado” ou mais “soft”. Quantas vezes um administrador ou um director se interroga, no seu dia-a-dia, sobre a como actuar, com “calma” ou “à bruta”, “a bem” ou “a mal”? Acaba tudo isto por poder ter que ver com o carisma da pessoa?

É algo que é inato à sua personalidade, ou se desenvolve com formação e experiência?

No seu comportamento, deve o gestor ter sempre, sem excepção, como referência o interesse da empresa, ou atender, prioritariamente, à sua imagem e interesse pessoal?

Quantos administradores, na gestão de conflitos, “fazem de conta”, “assobiam para o lado”, em vez de tomarem uma posição assertiva mas susceptível de criar uma impressão negativa da parte afectada com a decisão? Quantos são incapazes de “dar um murro na mesa” ou, ao contrário, se exaltam por tudo e por nada?
Está em causa a inteligência emocional a par da inteligência racional, traduzindo no seu todo o que se pode definir como a personalidade do gestor. É um facto que ela é posta à prova especialmente em momentos de crise como a actual.

Aí se vê quem tem coragem, quem é capaz de assumir posições de ruptura necessárias, quem constrói o diálogo táctico imprescindível, quem usa de frontalidade com urbanidade, quem é decidido com equilíbrio emocional, quem privilegia a imagem da empresa acima da imagem pessoal.

Ao fim e ao cabo, é esse estilo de gestor que é confiável para as instituições e as pessoas, mesmo que isso lhe custe a simpatia dos outros a curto prazo, mas garantindo sustentadamente os melhores resultados para a organização e de todos quantos nela trabalham.

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