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O impacto da investigação científica para o desenvolvimento de Angola

06/02/2018 - 14:08, Opinião

É a investigação realizada nas e pelas pessoas que mais directamente se relaciona com o aparecimento de novos produtos e processos

Por Pe. Dr. José Vicente Cacuchi
Reitor da Universidade Católica de Angola

O conhecimento científico deve ser apontado como um dos principais pilares das dinâmicas  de  desenvolvimento económico, social e até cultural das sociedades. A evolução do mesmo ao longo da história da Humanidade confunde-se e é até certo ponto indissociável da evolução do próprio Homem. A identidade que nos atribuímos, no início do terceiro milénio, enquanto parte da comunidade mundial, de  um  determinado  povo  ou  mesmo  como  indivíduos, está intrinsecamente marcada por séculos de pesquisas e avanços nas diversas áreas da ciência. Do objecto mais banal do nosso quotidiano à percepção que temos do mundo e da vida, tudo resulta ou deriva dessa enorme corrente de conhecimentos  que  se  renova  e  supera  a  um  ritmo diário.

O impacto da investigação científica na vida das populações é tido pela comunidade pública como um acontecimento que teve lugar sobretudo no século XX. Esta ideia, deve-se principalmente, ao enorme progresso tecnológico verificado nesse período, mas também ao aparecimento dos meios de comunicação e produção de massas, que permiti ram às pessoas um acompanhamento mais próximo do que ia sendo descoberto nos vários domínios.

Mas a inovação com base em fundamentos teóricos (investigação científica) passou a ser preponderante no desenvolvimento económico e social das nações pós-Revolução Industrial. A união entre a ciência e a técnica (que veio suceder ao “aprender fazendo” do início daquele período histórico) veio permitir o estabelecimento das sociedades como as conhecemos (cidades, valores morais…) e inaugurou uma era de “crescimento económico moderno”. E os países que estiveram na origem do aparecimento desta combinação foram os que assumiram (e continuam a assumir, de uma maneira geral) a predominância mundial em quase todos os aspectos, devido à vasta aplicação dos produtos e serviços resultantes da pesquisa científica.

Este enquadramento histórico serve apenas para realçar a importância da investigação no desenvolvimento dos Estados modernos, contrariando a ideia de que é um tema recente. O que estamos a assistir hoje em dia é uma tentativa de ofuscamento desta verdade que acabei de enunciar. Se no passado já foi essencial, no futuro apresenta-se como vital e as denominadas novas tecnologias e sobretudo a biotecnologia são unanimemente, consideradas como as chaves para o sucesso económico deste século.

De facto, esta osmose traduz-se numa capacidade ímpar para conseguir a transferência de tecnologia da ciência para a indústria, criando um grande impacto económico-social e enraizando a proximidade das universidades às comunidades em que se inserem e, num plano mais abrangente, às preocupações e ambições nacionais.

É a investigação realizada nas e pelas empresas que mais directamente se relaciona com o aparecimento de novos produtos e processos, contribuindo (que contribuem) para o crescimento da produtividade. Mas não é suficiente despender mais capital. São necessários os recursos humanos qualificados indispensáveis às actividades. Angola, nosso país, precisa desta reciclagem… É o reconhecimento da qualidade humana existente, que infelizmente é obrigada a prosseguir a carreira no estrangeiro por fata de oportunidade em território nacional.

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