Mercado

O papel dos fundos de investimento na dinamização da economia

22/11/2017 - 11:45, Opinião

É essencial identificar que factores dificultam o acesso dos investidores ao mercado

Rui Oliveira
Presidente da comissão executiva do BFA – Gestão de Activos

Só se consegue dinamizar a economia quando se tem um ciclo económico virtuoso, que, por conseguinte, se alcança com financiamento robusto à economia, proporcionando, deste modo, o crescimento económico e sustentável.

Todavia, o sistema financeiro tem um papel preponderante neste processo, sendo ele que proporciona o veículo adequado de intermediação e aproxima os agentes aforradores dos agentes deficitários. Essa intermediação gera, para além da aproximação entre os agentes económicos, a compatibilização de prazos e riscos que, em geral, são diferentes entre os vários agentes económicos.

O sistema financeiro é extremamente importante como indutor da alocação mais eficiente dos recursos, através dos vários instrumentos financeiros que cria.
Em todo este processo, só se consegue obter os resultados desejados se o Estado e as entidades envolventes desempenharem os seus papéis com responsabilidade, compromisso e ética.

O Estado deve ser o promotor e o criador de condições favoráveis (legais, fiscais e regulamentares) e não o principal concorrente do privado, nomeadamente, no mercado de títulos de dívida (as taxas dos títulos de dívida pública de curto prazo, actualmente, variam entre 16,15% e 23,90%).

Acreditamos que o caminho para uma dinamização mais rápida da economia e o alargamento da base dos investidores passa, em especial, pela sofisticação do mercado de títulos dedívida pública e pelo arranque efectivo do mercado de dívida corporativa. Entendemos, assim, que um mercado de títulos de dívida com profundidade e liquidez no País proporcionará condições para o financiamento e o crescimento da economia. No entanto, existem alguns factores que inibem que tal se realize, nomeadamente: a maior atractividade pelos títulos de dívida pública de curto prazo, exercida em grande medida pelos bancos; a inclusão financeira, o acesso a serviços financeiros, que continua a ser baixo (apenas 29% de quem tem 15 ou mais anos de idade relataram ter uma conta bancária em 2014, face a uma média da África subsariana de 34,2%); para a maioria dos clientes, a banca continua a ser uma questão de depósitos, com a generalidade dos indivíduos e das PME a não conseguir acesso ao crédito formal; a não integração do sector financeiro internacional; a permanente inadequação de infra-estruturas; a capacidade regulatória, que é dificultada mais por uma insuficiente autonomia por parte do regulador do que por restrições de recursos; e a ausência de medidas macroprudenciais fortificadas.

A participação de agentes diferenciados por perfil de risco, capacidade e tradição para negociação é uma condição para o aumento da liquidez. Assim, as medidas de estímulo à emissão de títulos de longa duração devem considerar a participação dos diversos investidores institucionais (fundos de investimento, fundações e seguradoras), que movimentam elevados volumes de recursos; de estrangeiros, que podem agregar uma visão diferenciada de rentabilidade e risco; além das pessoas físicas residentes, que adicionam pulverização e motivações diversas à negociação de activos. Em  função  de  diversas  questões  de  natureza macroeconómica, regulatória e, em especial, estrutural, a alocação de recursos pela indústria de Organismos  de  Investimento  Colectivo  (OIC)  em  Angola mantém-se baixa.

Não obstante, os OIC registaram um crescimento relevante nos últimos três anos, com activos sob gestão atingindo quase 300 mil milhões Kz (considerando apenas o capital inicial), o que vem a revelar a grande importância que possuem no processo de captação e cedência de recursos para os diversos agentes económicos. Neste espaço, a BFA Gestão de Activos tem como ambição ser um playerna vanguarda, tendo lançado com grande êxito o seu primeiro fundo mobiliário de  renda  fixa  de  10  mil  milhões  Kz,  totalmente  subscrito.

Visionamos 2018 como um ano de solidificação da nossa presença no mercado local. Adicionalmente, a indústria tem contado com o apoio da Comissão do Mercado de Capitais como o seu principal promotor e, como exemplo, destaca-se o Fórum do Mercado de Valores Mobiliários, que se vai realizar no próximo dia 23 de Novembro.

A dinamização da economia faz-se, sobretudo, pela inclusão financeira, que dá lugar ao incentivo à poupança que, a posterior, gerará financiamento dando lugar à criação de organizações transformadoras e outras, pois são elas o grande ‘motor’ do crescimento económico, pois geram empregos e renda que reverterão em consumo e, portanto, mais demanda, produção, empregos e renda e, consequentemente, mais poupança.

No entanto, a mobilização de grandes volumes de recursos para o financiamento dos investimentos produtivos deverá requerer a contratação de gestão especializada, inclusive para reduzir os riscos de perda para esse investidor, naturalmente menos habilitado a operar no mercado de capitais. Diante disso, é fundamental a identificação dos factores que desestimulam ou dificultam o acesso do investidor residente e estrangeiro ao mercado doméstico, entre os quais os aspectos regulamentares e aqueles relacionados com o custo de acesso, tributação e risco cambial.

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