Mercado

Recuperar o crescimento

10/01/2017 - 13:39, Opinião
Aylton site

A desaceleração simultânea dos quatro maiores emergentes –Brasil, Rússia, China e África do Sul – teve efeitos contagiantes para o resto das economias com que possuem relações estruturantes.

Por Aylton Melo 

As flutuações globais da economia chinesa, que desacelerou, ainda estão a ser analisadas, mais o fraco crescimento da Rússia reduziu drasticamente o crescimento global em 2016. As previsões do Banco Mundial (BM) em 2015 provaram infelizmente estar certas. Em síntese, houve um fraco crescimento das economias nos emergentes, que pesou sobre o crescimento mundial em 2016. Agora, as economias estão a adaptar-se ao novo período de crescimento mais modesto, sobretudo nos mercados emergentes, caracterizado por preços mais baixos das commodities e fluxos diminuídos de comércio e de capital. A boa nova é que as margens de crescimento podem recuperar neste novo ano.

Porque, de acordo com o BM e o FMI, depois de uma desaceleração para 2,4% em 2016, a economia mundial poderá crescer acima de 3% em 2017. “A actividade económica deve recuperar modestamente, com as economias desenvolvidas a ganharem força”, diz o BM. O vice-presidente do Banco
Mundial, Kaushik Basu, manifestou no ano passado preocupação, relativamente ao seu impacto na pobreza, uma vez que mais de 40% dos pobres em todo o mundo vivem nos países em desenvolvimento, onde o crescimento abrandou.

Os países em desenvolvimento não estavam preparados para os choques que estas economias tiveram nos últimos dois anos, o que fez recuar o crescimento e em alguns casos estagnou. “Os governos tiveram de fazer ajustes financeiros. Mas estes ainda não estão a representar sinais que impulsionem a actividade económica. As economias podem ainda estimular mais a confiança dos investidores com reformas no aparelho do Estado, no mercado de trabalho e ambiente de negócios para estimular o emprego; as empresas deverão efectivar medidas inovadoras, alto nível de superação tecnológica e em alguns casos disruptiva, destinada a aumentar a produtividade. Estas podem ser algumas das saídas para encurtar o actual momento de fraco crescimento económico. Entretanto, o Global Economic Outlook 2017 envia a seguinte mensagem:

“Quanto mais as coisas mudam, mais permanecem na mesma.” A aparente estabilização do preço das commodities (acima dos 50 USD, desde Dezembro de 2016) pode ser um ponto a favor dos emergentes, na África Subsariana, muito dependentes da venda do Brent, como é o caso de Angola.

Estas economias poderão contar com esta estabilidade, mas o BM alerta que o preço do barril do petróleo permanecerá baixo. Além disso, não há certezas relativamente a normalização da pressão que a moeda dos EUA impõe sobre a moeda dos emergentes. Embora os governos estejam a tomar medidas para conter a desvalorização das respectivas moedas. Ainda assim, os países em vias de desenvolvimento terão de resolver também os problemas relacionados com a produção e abastecimento de energia eléctrica.

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