Mercado

A regra da pontualidade nas empresas

01/12/2016 - 10:48, Opinião

Os ingleses e os alemães são os “piores” na pontualidade.

Por Campos Vieira

Esta é a opinião que muitos povos têm dos ingleses e alemães, encerrando uma visão negativa da pontualidade, seja nas relações sociais, seja no trabalho.

Evidentemente que os ingleses e os alemães estão entre os melhores em pontualidade no mundo, o que não deixa de ter reflexos no índice de desenvolvimento dos respectivos países.

A carga negativa que associamos ao conceito de pontualidade resulta do facto de não lhe atribuirmos o valor que efectivamente detém na sociedade e na empresa. Bem pelo contrário, se valorizarmos devidamente esse conceito, chegaremos ao ponto em que a sua prática é assumida de forma natural e, como tal, indiscutível e virtuosa.

Então, hoje, num mundo global em que as interacções entre as pessoas se multiplicam sem precedentes, a relevância deste factor assume enormes proporções que tornam este tema mais actual do que nunca. Um indivíduo que não seja pontual vai repercutir-se, em cadeia, na acção de outros indivíduos em número bem maior do que muitas das vezes imaginamos. Porém, ainda assistimos frequentemente a argumentos do tipo: mais importante do que se ser pontual é ser-se competente; um trabalhador pode ser pontual, mas depois pode produzir pouco. É verdade que assim pode acontecer, mas também é verdade que um trabalhador pode ser pontual e igualmente competente, o que será globalmente mais produtivo. Se extrapolarmos para um trabalho em rede, o que se configura como a situação frequente numa empresa, a situação torna-se mais visível: um trabalhador que não seja pontual, embora produtivo, está a afectar a actuação dos outros trabalhadores e, desse modo, a produtividade geral da companhia. Esta é uma ideia que deve estar interiorizada em todos os colaboradores, da base ao topo, sem excepção, até porque se difunde muito pelo exemplo que o chefe dá e que se transmite de forma dinâmica a toda a estrutura organizacional.

É esta dinâmica que interessa potenciar numa organização que cultiva a pontualidade: aproveitar a hora de início do período laboral para realizar reuniões internas, para formular orientações de trabalho aos responsáveis departamentais e para mobilizar as equipas para os grandes objectivos comerciais ou outros a atingir.

Na sociedade em geral, a pontualidade confunde-se com respeitabilidade pelo outro, mas tal é válido numa empresa: ao ser pontual, o colaborador começa por respeitar o trabalho do colega do lado ou de outro serviço que está dependente dele para operar.

Por isso, ser pontual não é uma opção: é uma condição necessária, sem a qual a economia e a sociedade se vêem afectadas no seu funcionamento básico, com naturais consequências negativas na produção e no rendimento global.

Esta prática dos gestores nas suas organizações vai repercutir-se na exigência global de qualidade de infra-estruturas dos transportes e outras que, por sua vez, muito ajudarão ao melhor contexto de condições estruturantes para que a pontualidade se afirme em toda a sua extensão e profundidade.

A pontualidade será, então, uma realidade vista como regra, e não como excepção, no nosso País!

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